1 de dezembro de 2016

LIÇÃO X ADORANDO A DEUS EM MEIO A CALAMIDADE


LIÇÃO X

 

ADORANDO A DEUS EM MEIO A CALAMIDADE

 

                                                       Pr. JOSÉ COSTA JUNIOR

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

O que é a vida cristã normal? É uma vida que inclui lutas, problemas, e acontecimentos que parecem combater a alegria que nos dizem encontrarmos em Cristo? É normal ter problemas vindos de desejos tão naturais como comida ou sexo, ou lutar com pensamentos descontrolados ou falta de disciplina? É comum ser assoberbado por conturbações emocionais, feridas do passado, lembranças de fracassos, sentimentos de inferioridade e insegurança, e mesmo o medo de ser rejeitado por Deus? Não é incomum lutar com finanças, saúde, um companheiro de quarto incômodo, colega ou parente? Todas essas são questões vexatórias por duas razões essenciais. Primeiro, lutávamos normalmente com tais coisas antes de virmos a Cristo, e como poderíamos ter imaginado tal luta uma vez que estamos nEle? Segundo, muitos autores, palestrantes e líderes cristãos insinuaram que esse tipo de experiência não é parte da vida cristã normal, porém revela, antes, as deficiências de uma fé abaixo do padrão.

 

Quando tentamos entender as inadequações de nossas vidas, podemos ouvir os testemunhos de cristãos vitoriosos que raramente mencionam qualquer experiência perturbadora depois de sua conversão. A vida desses cristãos parece geralmente ter sido de vitória, louvor, e poder avassalador! Geralmente muitos de nós, com o passar do tempo, acabamos aceitando o fato de que somos cristãos muito anormais: fracos, não conseguindo permanecer onde deveríamos, e sem a habilidade, inteligência, e disciplina para vivermos a vida de vitória completa como definida pelas experiências de certos irmãos.

 

Aqueles que têm problemas, entretanto têm de tomar coragem, porque o que descobri em minha caminhada com o Senhor e interação com seu povo é que, notavelmente, problemas são um elemento natural da vida do cristão. A vida cristã normal não deixa de ter lutas, nem é livre de fracassos, nem é uma vida de picos emocionais constantes. Pelo contrário, essa vida é cheia de adversidade, mas adversidade com propósito.

 

Veja o que o apóstolo Paulo disse em I Co 4.9-13: "Porque tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, (...) fracos, (...) desprezíveis. Até a presente hora padecemos fome e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos difamados, e exortamos; até apresente somos considerados como o refugo do mundo, e como a escória de tudo." Essa não é uma passagem popular entre o povo da prosperidade, mas Paulo reitera seu ponto de vista, escrevendo aos Coríntios novamente: "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexas, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos..." (II Cor. 4.8-10).

O que é, então, a vida cristã normal? Será freqüentemente uma vida cheia de problemas. Uma vez que entendamos que fatos, pessoas, saúde e circunstâncias adversas têm um propósito em nossas vidas, poderemos nos submeter à mão de Deus nelas. Problemas são normais!

 

Muitas vezes os desconfortos na vida dos cristãos vêm nem tanto dos problemas, quanto de seu contínuo auto-exame. Eles imaginam o que estará errado com eles para que Deus permita tais coisas acontecerem. A Escritura está repleta de inferências de que vamos sofrer; hoje, entretanto, esse aspecto da vida cristã comum é freqüentemente ignorado, impedindo muitos de substituírem seu desânimo por coragem.

 

O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre o exemplo do rei Josafá diante de uma calamidade iminente. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

 

I.     O    REINO DO NORTE E DO SUL

 

O final do reino de Salomão foi marcado por descontentamento das camadas mais pobres da população, que tinham de pagar pesados impostos para financiar seus planos ambiciosos. Além disso, o tratamento preferencial dispensado à sua própria tribo exasperava as outras, e conseqüentemente crescia o antagonismo entre a monarquia e os separatistas tribais. Após a morte de Salomão (930 a.E.C.) uma insurreição aberta provocou a cisão das tribos do norte e a divisão do país em dois reinos: o reino setentrional de Israel, formado pelas dez tribos do norte, e o reino meridional de Judá, no território das tribos de Judá e Benjamim. O Reino de Israel, com sua capital Samaria, durou mais de 200 anos, e teve 19 reis; o Reino de Judá sobreviveu 350 anos, com sua capital, Jerusalém, e teve o mesmo número de reis, todos da linhagem de David. Com a expansão dos impérios assírio e babilônio, tanto Israel quanto Judá, mais tarde, acabaram caindo sob domínio estrangeiro. O Reino de Israel foi destruído pelos assírios (722 a.E.C.) e seu povo foi exilado e esquecido. Uns cem anos depois, a Babilônia conquistou o Reino de Judá, exilando a maioria de seus habitantes e destruindo Jerusalém e o Templo (586 a.E.C.).

 

II.  O REI JOSAFÁ

 

O reino de 25 anos de Josafá (872-848 a.C.) foi um dos mais alentadores, e marcou uma era de esperança na história religiosa de Judá. Nos primeiros anos de seu reinado, Josafá fez reviver a política da reforma religiosa que tinha sido tão efetiva na primeira parte do reinado de Asa. Devido a que Josafá tinha trinta e cinco anos de idade quando começou a governar, deve ter permanecido, muito provavelmente, sob a influência dos grandes líderes religiosos de Judá durante sua infância e juventude. Seu programa esteve bem organizado. Cinco príncipes, que estavam acompanhados por nove levitas principais e dois sacerdotes, foram enviados por todo Judá para ensinar a lei. Além disto, suprimiu os lugares altos e os asserins pagãos, para que o povo não fosse influenciado por eles. Em lugar de buscar a Baal, como o povo provavelmente tinha feito durante as últimas duas décadas do reinado de Asa, este rei e seu povo se voltaram para Deus.


Este novo interesse com Deus teve um amplo efeito sobre as nações circundantes, ao igual que sobre Judá. Conforme Josafá fortificava suas cidades, os filisteus e os árabes não declararam a guerra a Judá, senão que reconheceram a superioridade do Reino do Sul, levando presentes e tributos ao rei. Este providencial favor e apoio o animaram a construir cidades para armazéns e fortalezas por todo o país, estabelecendo nelas unidades militares. Além disso, contava com cinco comandantes do exército de Jerusalém, ligados e responsáveis diretamente a sua pessoa (2 Cr 17.1-19). Como natural conseqüência, sob o mandado de Josafá o Reino do Sul prosperou política e religiosamente.

 

Existiam relações amistosas entre Israel e Judá. A aliança matrimonial entre a dinastia de Davi e Onri deve ter-se realizado, verossimilmente, na primeira década do reinado de Josafá (cerca de 865 a.C.), já que Acazias, o filho desta união, tinha vinte e dois anos quando ascendeu ao trono de Judá em 841 a.C. (2 Rs 8.26). Este nexo de união com a dinastia governante do Reino do Norte, assegurou a Josafá do ataque e a invasão procedente do Norte.


Aparentemente transcorreu mais de uma década do reinado de Josafá sem notícias entre os primeiros dois versículos de 2 Cr 18; o ano era 853 a.C. Depois da batalha de Qarqar, na qual Acabe tinha participado na aliança síria, para opor-se à força expansiva dos assírios, Acabe homenageou a Josafá muito suntuosamente em Samaria. Enquanto Acabe considerou a recuperação de Ramote-Gileade, que Ben-Hadade, o rei sírio, não lhe havia devolvido de acordo com o tratado de Afeque, convidou a Josafá a unir-se a ele na batalha. O rei de Judá respondeu favoravelmente; porém insistiu em assegurar-se os serviços e o conselho de um verdadeiro profeta. Micaías predisse que Acabe seria morto na batalha. Ao ter conhecimento daquilo, Acabe se disfarçou. Ao ser mortalmente ferido por uma flecha perdida, Josafá conseguiu escapar, voltando em paz a Jerusalém.


Jeú confrontou a Josafá valentemente com as palavras do Senhor. Sua fraternização com a família real de Israel estava desgostando o Senhor. O juízo divino viria a seguir, sem dúvida. Para Jeú, isto foi um grande ato de valor, já que seu pai, Hanani, tinha sido encarcerado por Asa por ter admoestado o rei. Concluindo sua mensagem, Jeú felicitou a Josafá por tirar do meio os asserins e submeter-se e buscar a Deus.


Em contraste com Asa, seu pai, Josafá respondeu favoravelmente a esta admoestação. Pessoalmente foi por toda Judá, desde Berseba até Efraim, para alentar o povo a voltar-se a Deus. Completou esta reforma, nomeando juízes em todas as cidades fortificadas, admoestando-os a que julgassem com o temor de Deus, antes que com base em juízos particulares ou aceitando subornos. Os casos em disputa deviam apelar-se a Jerusalém, onde os levitas, os sacerdotes e os cabeça de família importantes, tinham a seu cargo o render justas decisões. Amarias, o chefe dos sacerdotes, era em última instancia responsável de todos os casos religiosos. As questões civis e criminosas estavam a cargo de Zebadias, o governador da casa de Judá.


III.   JOSAFÁ E SEUS INIMIGOS


Pouco depois de tudo isto, Josafá se viu enfrentado a uma terrífica invasão procedente do sudeste. Um mensageiro informou que uma grande multidão de amonitas e moabitas se dirigia a Judá, procedentes da terra do Edom, ao sul do Mar Morto. Se aquilo era o castigo implicado na predição de Jeú sobre a pendente ira de Deus, então se viu que Josafá tinha sabiamente preparado a seu povo. Quando proclamou o jejum, o povo de todas as cidades de Judá respondeu imediatamente. Na nova corte do templo, o próprio rei conduziu a oração, reconhecendo que Deus lhes havia entregado a terra prometida, manifestando sua presença no templo dedicado nos dias de Salomão, e prometido a liberação se se prostrassem humildemente diante dEle. Nas simples palavras "não sabemos o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti", Josafá expressou sua fé em Deus, quando concluiu sua oração (2 Cr 20.12). Mediante Jaaziel, um levita dos filhos de Asa, a assembléia recebeu a certeza divina de que inclusive sem ter de lutar eles veriam uma grande vitória. Em resposta, Josafá e seu povo se inclinaram e adoraram a Deus, enquanto os levitas, audivelmente, louvavam o Senhor.

 
Na manhã seguinte, o rei conduziu seu povo pelo deserto de Tecoa e os alentou a exercer sua fé em Deus e nos profetas. Cantando louvores a Deus, o povo marchava contra o inimigo. As forças inimigas foram lançadas numa terrível confusão e se massacraram uns aos outros. O povo de Judá empregou três dias em recolher o botim e os despojos de guerra. No quarto dia, Josafá reuniu seu povo no vale de Beraca, para uma reunião de ação de graças, reconhecendo que só Deus lhes havia dado a vitória. Numa marcha triunfal, o rei os conduziu a todos de volta a Jerusalém. O temor de Deus caiu sobre as nações dos arredores quando souberam desta miraculosa vitória. Josafá de novo tornou gozar de paz e quietude.


O inimigo que vinha contra os judeus era numeroso, mas a partir do instante em que receberam a promessa de livramento, eles se puseram a louvar. "Pela manhã cedo, se levantaram e saí­ram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis. Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o Senhor, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus, dizendo: Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre." (Vv. 20,21.)


Que marcha diferente foi aquela, na qual os soldados, no lu­gar de espadas e lanças, levaram instrumentos musicais! E peran­te tal demonstração de fé, algo extraordinário aconteceu: Deus fez com que a coalizão inimiga se desentendesse e começasse a lutar entre si. "Tendo Judá chegado ao alto que olha para o deser­to, procurou ver a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente." (V. 24.)

Os israelitas venceram a batalha sem precisar disparar uma única flecha, armados, apenas, com o poder do louvor. Quan­do louvamos, coisas maravilhosas acontecem! As vezes pensa­mos que as pessoas mais agradecidas são as que receberam mais bênçãos, mas a verdade é que elas são mais abençoadas porque agradecem mais. Na guerra espiritual, o louvor é a arma definitiva, contra a qual o inimigo não possui defesa.

 
CONCLUSÃO

Identifique a hora de parar de suplicar e começar a agrade­cer. Não glorifique ao Senhor apenas pelo que ele fez: exalte-o também, pelo que vai fazer. Descarte o pessimismo e a murmuração, e prevaleça pelo louvor. Dizem que o gorjeio mais boni­to é o do rouxinol, porque esse pássaro só canta de noite. Da mesma forma, não há adoração tão bela quanto a que é presta­da nas sombras da provação.

Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.

 

 

Pr. JOSÉ COSTA JUNIOR

 

 

23 de novembro de 2016

O Milagre está em Sua Casa



O Milagre está em Sua Casa

Texto Áureo = “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses [...], que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste.” (Dt 10.17,18)

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje veremos um milagre que foi motivado a partir da necessidade financeira de uma mulher que devido a sua dívida ela iria ficar sem dois filhos. Deus concede a Eliseu autoridade para que sucedesse Elias marcando assim o seu ministério por muitos milagres.

·         Eliseu

O nome Eliseu significa "Deus é salvação". Auxiliar do profeta Elias, Eliseu era filho de Safate, de Abel-Meolá, no Vale do Jordão. Tinha como trabalho arar a terra com junta de bois. O jovem Eliseu foi convidado pelo profeta Elias a segui-lo. O texto bíblico mostra que ele “se levantou, e seguiu a Elias, e o servia” (1 Rs 19.21). O primeiro ponto digno de nota na vida do profeta Eliseu foi a sua humildade e a disponibilidade em aprender com o profeta Elias. Na caminhada com Deus, saber ouvir e ter o compromisso de aprender com o outro é muito importante. Na época de Eliseu não havia uma espécie de seminário teológico ou faculdade que tinha o objetivo de formar, embora houvesse escola de profetas, mas que nem de longe era parecida com as instituições modernas. Os profetas eram formados aos pés dos outros profetas no dia a dia da caminhada, os profetas iam sendo formados, trabalhados e forjados diante de Deus e dos homens.

Outro ponto digno de nota é que o ministério do profeta Eliseu é permeado por milagres. Segundo especialistas em Antigo Testamento, excetuando a pessoa de Jesus Cristo, ninguém na história sagrada registrou a quantidade de sinais e maravilhas como consta o registro na vida do profeta mediante o seu ministério. Ele sarou águas infectadas (2 Rs 2.19-22), fez brotar água no deserto (2 Rs 3.9,16-20), proveu a necessidade da viúva (2 Rs 5) e ressuscitou mortos (2 rs. 4.18-37), além de curar leprosos (2 rs. 5). Estes três últimos milagres antecipam o que o nosso Senhor faria em abundância em seu ministério terreno. A vida e a obra de Eliseu nos ensinam que Deus traz provisão no momento oportuno. O ministério do profeta mostra uma profusa quantidade de ações divinas em favor das pessoas que por intermédio dele eram abençoadas.

Não podemos perder a dimensão da verdade bíblica de um Deus que provê. O que não significa abrir barganha com Ele. Nada disso. Resgatar a visão bíblica de que Deus intervém na circunstância de uma pessoa é urgente a fim de não cairmos no erro de uma religiosidade sem paixão, de uma ortodoxia morta e do gélido ceticismo. 

À luz da vida de Eliseu, somos convidados a andar com Deus em fidelidade e verdade. Amá-Lo de todo o nosso coração, alma e pensamento. À medida que nos aproximamos mais de Deus por intermédio da oração e da leitura da Palavra, o Senhor se aproxima mais de nossas vidas. Por isso, busquemos ao Senhor, o reverenciemos enquanto há tempo.

I – UMA FAMILIA PIEDOSA EM DIFICULDADES

Nós iremos demonstrar a intervenção divina numa circunstância que nenhum homem comum poderia resolver. No capítulo 4, Eliseu se volta às famílias dos profetas quando se depara com uma situação alarmante de uma viúva e seus dois filhos que estavam vivendo um estado caótico de gênero de primeira necessidade e que era esposa de um profeta que havia falecido e deixado um dívida.

A situação daquela família era de penúria, pois além da perda do marido, estavam vivendo uma crise econômica, em que faltavam alimentos básicos e não tinham nenhum recurso financeiro. A viúva corria o risco de perder seus dois filhos para os credores. Seus filhos poderiam ser vendidos como escravos para saldar a dívida. A situação era gravíssima, pois não havia nem dinheiro nem qualquer tipo de alimentos dentro da casa. Era pobreza total, e isso significava privação das necessidades básicas da vida. A Bíblia nos dá a garantia de que Deus faz justiça ao órfão e à viúva (Dt 10.18; Sl 68.5; 146.9).

Vivemos em tempos de grandes dificuldade econômicas, quando muitas famílias estão em total pobreza material. Famílias inteiras que vivem nas favelas das grandes cidades comem restos de comida encontrados nos lixões das cidades. Sem alimentação, sem educação, nem segurança, a pobreza gera desespero e violência, e os governos tentam fazer alguma coisa, mas muito pouco é feito para mudar esse estado caótico de pobreza. Nesse meio se encontram muitos cristãos fiéis a Deus que vivem de migalhas e muito pouco que as igrejas fazem por eles. Muitas igrejas ficam ricas e usam os seus recursos para quaisquer projetos de construções e outra coisas mais, mais porem muito pouco é investido na obra social para amenizar a pobreza dos nossos próprios irmãos na fé.

II – O DEUS DE MILAGRES OPEROU DE MODO ESPECIAL NA CASA DAQUELA VIÚVA

·         Que te hei de fazer?

Quando Eliseu pergunta àquela viúva estava confrontando como homem que estava pronto para ajudar, dentro dos limites desse seu espirito humanitário. Eliseu não agia com atitudes presunçosa só por causa dos milagres que já haviam sido operados por seu intermédio. Ele tinha consciência de sua limitações, e não ostentava atitude de senhorio sobre as operações de Deus.

·         Que é que tens em casa? (2 Rs 4.2)

Essa pergunta que, colocada no contexto das famílias na sociedade atual, se choca com a realidade da pobreza, da mendicância das cidades, da busca de alimentos nos lixões das grandes metrópoles, dos maus serviços de saúde. A igreja de Cristo na terra não pode inverter o seu papel social, e sim seguir o exemplo da igreja que saiu do Pentecostes (At 4.32-35). Em vez de querermos espiritualizar todas as suas ações, a igreja deveria investir em exercer justiça social. Existe uma teologia chamada “teologia da pobreza” que ensinam que pobreza material é garantia de espiritualidade, usando como texto para essa ideia equivocada uma interpretação da expressão “pobre de espirito” como pobreza material. Na história desse capitulo, Eliseu era o homem de Deus, que confiava em Jeová-Jireh e sabia que Deus podia mudar aquele estado de penúria daquela viúva e seus filhos. Por isso, perguntou-lhe: “Que é que tens em casa”? a resposta da viúva foi clara e precisa: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”.

III – DEUS COMEÇA O MILAGRE A PARTIR DO QUE TEMOS

·         Tua serva não tem nada, senão uma botija de azeite

A lição maior que aprendemos com essa declaração da viúva é que, a partir do nada, ou do pouco que temos, Deus age e opera milagres. Na Bíblia temos histórias lindas de Deus em prover a necessidade de seus servos. O que é que temos em mãos para começar a ver a operação de Deus?

Moisés tinha em mãos “uma vara”, e com essa vara Deus operou grandes maravilhas; Davi tinha uma funda, e com uma pedrinha matou o gigante Golias (1Sm 17.23-25, 40, 49); Pedro e seus companheiros de pesca tinham uma rede e viram o milagre da pesca abundante depois de uma noite inteira sem pegar nada (Lc 5.1-7); Dorcas tinha uma agulha de costura (At 9.36-40).

O que temos em mãos, ou em casa, para crer no Deus de milagres?
O que a viúva tinha em casa senão uma “botija de azeite”? Foi um bom começo o “ter uma botija de azeite”, mas se ela tivesse nada, o Senhor operaria do mesmo modo.

·         Provisão Abundante sem Desperdício
·          
O profeta orientou a viúva e seus filhos que pedissem emprestados muitos vasilhames próprios (vasos de barro), tanto quanto pudessem tomar emprestados. Sem que os vizinhos e amigos soubessem, seus filhos trouxeram muitos vasilhames para dentro de casa. Tudo quanto aquela viúva tinha em casa era uma “pequena botija de azeite”. Fecharam a porta da casa e obedeceram à orientação do profeta de “tomar a botija de azeite” e começar a derramar em cada vasilhame o restinho do azeite que havia na botija. 

Então o milagre começou a acontecer, porque o azeite não terminava e quanto mais eles enchiam os vasos, mias o azeite se multiplicava até o ultimo vaso, quando o azeite parou de derramar.

O azeite continuo a fluir enquanto havia capacidade de recebe-los. Não houve desperdício. Tanto quanto havia em capacidade de receber azeite foi o que Deus fez fluir para resolver o problema da viúva e seus filhos.

A lição que aprendemos é que, do pouco que temos, podemos exercer nossa fé para obtermos a benção de Deus em todos os aspectos de nossa vida material, emocional e espiritual. O apostolo Paulo disse aos romanos que Deus dá sua graça na medida da nossa fé, ou “conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3). Deus nos dá tanto quanto precisamos e dá abundantemente. Nunca Ele dá demais ou de menos, mas sempre na medida da nossa capacidade de gerirmos aquilo que Ele nos dá.

·         A Obediência à Orientação do Profeta foi fundamental para Receber a Benção

Aquela mulher podia discutir com o profeta o seu modo de resolver o problema, mas ela sabia que o homem de Deus tinha a resposta divina para sua vida. Tudo o que ela precisava fazer era aceitar a orientação do profeta e colocar sua fé em ação. Para não haver interferência no milagre, a viúva e seus filhos deveriam “tomar vasos emprestados”, ou seja, vasilhames de cerâmicas, tantos quantos pudessem conseguir, trazê-los para dentro de casa. A viúva só tinha uma botija, um pequeno vasilhame; por isso, precisaria de muitos vasilhames. Ela sabia que deveria obedecer à orientação do seu líder espiritual como aquele que cumpre o papel de representar os interesses de Deus na terra. Para não haver a interrupção dos credores à sua porta, nem o de sentir-se orgulhosa pelo suprimento miraculoso, ela deveria fechar a porta atrás de si na sua casa. Ela fez tu conforme a orientação do servo de Deus para que o milagre acontecesse. O princípio da autoridade espiritual é o mesmo para nosso dias. Um pastor deve ser respeitado como homem de Deus, e esse respeito se conquista com o exemplo de vida piedosa.

IV - OS PROPÓSITOS DO MILAGRE

·         Uma resposta ao sofrimento

Todos os milagres realizados por Eliseu deixam bem claro que eles ocorreram em resposta a uma necessidade humana e também ao sofrimento (2Rs 4.1-38; 5.1-19; 6.1-7). O NT mostra-nos que o Senhor Jesus libertava e curava porque se compadecia do sofrimento humano (Lc 13.10-17; Mc 1.40-45). 

Todos os milagres autênticos são operados por Deus, pois somente Ele é poderoso para realizá-los. Há ocasiões em que Ele interfere diretamente em determinada situação, sem a instrumentalidade humana (Nm 11.18-23; 31-32; Jo 5.1-9).

·         Um consolo nas nossas dificuldades.

O fato de sermos cristãos não nos isenta de passarmos por necessidades e tribulações. “...no mundo tereis aflições...” (Jo 16.33). Por isso, Paulo disse: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2Co 4.8,9 ver 1Co 1.4-a). “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.” (Êx 20.6). Ver ainda textos como (Nm 20.7-11).

·         Uma maneira de glorificar a Deus.

Os milagres, portanto, são uma resposta de Deus ao sofrimento humano. Todavia, eles não se centralizam no homem, mas em Deus. Os milagres narrados nas Escrituras objetivam a glória de Deus. Em nenhum momento, encontramos os profetas buscando chamar a atenção para si através dos milagres que realizavam nem tirar proveitos deles. Quem tentou fazer isso e beneficiar-se de forma indevida foi Geazi, o servo de Eliseu. Entretanto, quando assim procedeu foi severamente punido (2Rs 5.20-27). Em o NT observamos Pedro e Paulo pondo em destaque esse fato e mostrando que Deus, e não os homens, é quem deve ser glorificado (At 3.8,12; 14.14,15).

CONCLUSÃO

O milagre da multiplicação do azeite é um testemunho do poder de Deus, que se compadece dos sofredores que o buscam de todo o coração. O foco, portanto, dessa bela história não é a viúva nem tampouco o profeta Eliseu, mas o Senhor que através da instrumentalidade do seu servo abençoa essa pobre mulher. A história faz-nos lembrar um outro feito extraordinário e muito mais relevante do que esse: a multiplicação dos peixes e pães por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele foi, é e sempre será a resposta consoladora a todo sofrimento humano.







Por. Pb. Mickel Souza

REFERÊNCIAS

VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.
ELIENAI CABRAL. O Deus de Toda Provisão. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
BARNETT, T. Há um milagre em sua casa. CPAD.
ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento. CPAD.
I. E. Ass. de Deus em Pernambuco - Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

17 de novembro de 2016

RUTE, DEUS TRBALHA PELA FAMÍLIA


RUTE, DEUS TRBALHA PELA FAMÍLIA

 

Texto Áureo

 

Bendito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel Rt 4.14.

 

Verdade Prática

 

Deus abençoa o trabalho, a fé e a persistência da família que o serve.

 

Introdução

 

Nesta lição, estudaremos a história de uma familia que enfrentou a crise da fome, do luto e da desesperança. Veremos que a fé ligado a lealdade e a persistência levou duas mulheres Noemi e Rute a vencerem as dificuldades provando assim a provisão e o resgate de Deus em suas vidas.

 

I – A CRISE ECONÔMICA

 

“E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra [...]” (Rt 1.1-a). Assim se inicia o livro de Rute, relatando uma grande crise econômica que afetou a cidade de Belém antigamente chamada de Efrata (Gn 35.19; 48.7; Rt 4.11). Tal situação se instaurou não somente por causas naturais, mas porque nesse período dos juízes o povo de Israel diversas naufragou na fé dando as costas para Deus adorando aos ídolos e vivendo de forma desregrada (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1; 17.6). Deus puniu o seu povo como havia prometido (Dt 28.15-68).

 

·         Breve relato sobre Rute

A história de Rute desenrolasse durante o período dos juízes. Ela revela que durante a deplorável apostasia moral e espiritual daqueles dias (Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos Jz 17.6), havia um remanescente fiel que continuava a amar e obedecer a Deus.

O período dos juízes vai da 1375 a 1050 a.C., aproximadamente. Nesse tempo, Israel era uma confederação de tribos. Historicamente, Juízes fornece o relato principal da história de Israel na terra prometida, da morte de José aos tempos de Samuel. Teologicamente, revela o declínio espiritual e moral das tribos, após se estabeleceram na terra prometida.

 

O versículo chave de Rute diz: “O Senhor retribua o teu feito; e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar Rt 2.12”. Esse versículo mostra-nos que em meio à grande apostasia durante o período dos juízes, Deus estava atento àqueles que o buscavam com sinceridade e fè firme ( Sl 17.8; 36.7; 63.7).

A história de Rute diz respeito à providência de Deus na vida dos que nEle confiam e andam nos seus caminhos. Assim como Abraão correspondeu com fé ao chamado do Senhor, assim também a confiança que Rute teve no Senhor levou-a a deixar sua pátria e arentela para cumprir sua parte no divino roósito redentor ( Gn 12. 1-4).


·         A família de Elimeque (Rt 1.1,2).

Entre os belemitas destaca-se nesse período a família de Elimeleque cujo nome significa: “Deus é rei”. Esse homem era casado com uma mulher chamada Noemi que significa: “agradável”. Com ela teve dois filhos, a saber: Malom que quer dizer: “doentio” e Quiliom “definhante”. Os nomes dos filhos podem revelar que ambos tinham a saúde debilitada.

 

Quando Elimeleque, o pai de família, viu a crise econômica chegar em Belém, se viu na responsabilidade de como mantenedor da família tomar uma decisão que viesse resolver este problema. A Bíblia diz que ele resolveu fugir da crise indo para a terra de Moabe. Segundo Lopes (2012, p. 24),“quando falta pão na Casa do Pão, a solução não é abandonar Belém, mas esperar a intervenção de Deus”. Moabe ficava num planalto a leste do mar Morto, a uns oitenta quilômetros de Belém. O motivo da atitude de Elimeleque era nobre, proporcionar sustento a sua família, todavia a atitude de fuga da adversidade e o lugar para onde este patriarca se dirigiu nos mostram quão grande erro cometeu.Por exemplo:

 

(a) a Bíblia nos informa que Moabe foi um filho de Ló, o fruto de um relacionamento incestuoso de Ló com uma de suas filhas (Gn. 19.36,37);

 

(b) os moabitas pagaram a Balaão para amaldiçoar Israel, durante a peregrinação de Israel a Canaã (Nm. 22.1-8);

 

(c) sob circunstâncias normais os moabitas eram excluídos da participação da vida nacional e cooperativa de Israel (Dt 23.3-6).

 

(d)na batalha contra Josafá os moabitas se aliaram com os amonitas e os edomitas para virem contra Judá (II Cr 20.1). É sempre muito perigoso para o crente “peregrinar” por qualquer lugar sem a orientação divina, ainda mais sabendo de antemão que determinado lugar é hostil a fé que professamos. A voz da necessidade não pode ser mais forte que a voz de Deus para nos dirigir.

 

Elimeque saiu de Belém para resolver uma dificuldade e acabou contraindo mais problemas. Saiu para peregrinar em Moabe, no entanto, passou ali quase “dez anos” (Rt 1.4). Nesse período ele veio a falecer (Rt 3.1); seus filhos casaram-se com mulheres que não eram de Israel (Rt 1.4); depois, seus filhos também morreram (Rt 1.5-a).

“O Talmude considera isto punição por terem deixado Judá” “(CUNDALL apud BATHRA, 1986, p. 235). O texto bíblico narra a situação que ficou Noemi “ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido” (Rt 1.5-b). Nenhuma família se prepara para a morte de um dos membros. Tal situação desestabiliza o homem física, emocional, financeira e algumas vezes espiritualmente. Precisamos estar prontos para enfrentar estas dificuldades contando sempre com a graça de Deus (II Co 12.9).

 

II – SUPERANDO AS CRISES

 

Noemi, embora fosse uma fiel seguidora do Senhor, experimentou grande adversidade

 

·         Crise na vida Noemi

Ela e a sua família sofreram os efeitos da fome, e tiveram que abandonar sua própria casa. Além disso, ela perdeu seu marido e seus filhos. Parecia que o Senhor a abandonara e até mesmo se voltara contra ela.

Deus continuava cuidando dela, inclusive agindo através de terceiros, para socorrê-la em suas necessidades. Como no caso de Noemi, o crente fiel e leal a Cristo pode experimentar grandes adversidades na sua vida. Tal fato não significa que Deus os abandonou ou que está castigando.

 

·         Crise na vida do Crente

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?Como está escrito:Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;somos reputados como ovelhas para o matadouroRm 8.35,36”.

 

As adversidades alistadas pelo apóstolo nos versículos citado acima, têm sido experimentadas pelo povo de Deus através dos tempos (At 14.22; 2 Co 11.23 – 29; Hb 11.35 – 38). Nenhum crente deve estranhar o fato de experimentar adversidades, perseguição, fome, pobreza ou perigo. Aflições e calamidades não significam decerto, que Deus nos abandonou, nem que Ele deixou de nos amar. Pelo contrario, nosso sofrimento como crentes, abrir-nos-á o caminho pelo qual experimentaremos mais do amor e consolo de Deus (2 Co 1.4,5). Paulo nos garante que venceremos em todas essas adversidades e que seremos mais que vencedores po amor de Cristo (Rm8.37-39; Mt 5.10-12; Fp 1.29).

 

·         Todas as coisas contribuem

 

As Escrituras frisam, repetidas vezes, que Deus continua, com todo o amor, a fazer todas as coisas cooperarem para o nosso bem em tempos de aflição.

(1)   Deus fará o bem surgir de todas as aflições, provações, perseguições e sofrimentos. O bem que Deus leva a efeito é conformar-nos à imagem de Cristo e, finalmente, levar a efeito a nossa glorificação.

(2)   Essa promessa é limitada aos que amam a Deus e lhe são submissos mediante a fé em Cristo.

(3)   “Todas as coisas” não incluem os nossos pecados e negligencia( Rm 6.13; 6.16,21,23; Gl 6.8); isso quer dizer que ninguém pode alegar motivo para pecar, justificando que Deus fará resultar isso em bem.

 

III - FÉ E TRABALHO

 

·         Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;Rt 1.16

 

Retornar a Belém: uma atitude certa (Rt 1.6).

Noemi, resolveu retornar de Moabe para Belém ao saber das boas notícias da provisão de Deus para o seu povo. Para isto, propôs em seu coração despedir-se das suas duas noras, Rute e Orfa. A princípio ambas resistiram deixá-la, no entanto, Orfa atendeu a voz de Noemi, porém, Rute apegou-se a sua sogra demonstrando que não somente estava disposta a estar junto dela, no lugar que esta quisesse, como também até de aceitar a fé no Deus que Noemi servia (Rt 1.16,17). Como podemos ver, enquanto estivermos com vida, haverá oportunidade de regressarmos do caminho errado para o caminho certo (Jr 4.1; 15.19; Lc 15.17-20).Noemi, certamente, conduziu Rute a fé no Senhor Deus, mediante seu exemplo e ensino (Dt 11.18,19). A fé que Rute tinha em Deus levou-a a permanecer fiel no seu amor a Noemi. Rute ilustra o princípio divino que “quem perder a sua vida por amos de mim acha-la-á (Mt 10.39; Rt 4.13-17).

 

·         Breve nota sobre o cuidado de Deus em Prover

 

Deus tem várias maneiras de prover na vida daqueles que estão em crise. Grande é o zelo pelos pobres, necessitados e afligidos por algum tipo de adversidade, “o Senhor Deus é seu defensor”. Ele mesmo revela ser o refúgio (Sl 14.6; Is 25.4), socorro (Sl 40.17; 70.5; Is 41.14), o libertador (1 Sm 2.8; Sl 12.5; 34.6; 113.7) 35.10), e provedor (Sl 10.14; 68.10; 132.15). ao revelar sua Lei aos israelitas, mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a pobreza do meio do povo (Dt 15.7-11). No livro de Rute também vemos um dos princípios aplicado no tempo da colheita onde os grãos que caíssem deviam ser deixados no chão para que os pobres os recolhessem (Lv 19.10; Dt 24.19-21); e mais: os cantos das searas especificamente, deviam ser deixados aos pobres (Lv19.9).

 

Embora o livro de Rute nos mostre diversos sofrimentos que sobrevieram ao povo de Judá e especificamente a família de Elimeleque, ele também nos mostra que mesmo ao mais intenso sofrimento, o nosso Deus pode se revelar de forma gloriosa. Vejamos como Deus se revelou:

 

·         O Deus da provisão (Rt 1.6; 2.3; 14-17).

 

Segundo Aurélio provisão é: “ato ou efeito de prover; fornecimento, abastecimento” (2004, p. 1650). Sendo assim, podemos definir a provisão divina como a atividade do Deus Soberano, em provê as necessidades da sua criação, intervindo para sua preservação (CAMPOS, 2001, p. 8). No caso dessa história no livro de Rute, vemos Deus agindo da seguinte maneira:

 

(a) providenciando Rute para estar com ela, lhe fazendo companhia;

 

(b) conduzindo de forma invisível os caminhos de Rute para trabalhar numa eira que pertencia a Boaz parente de Elimeleque, o falecido esposo de Noemi;

 

(c) fazendo Rute alcançar graça aos olhos de Boaz sendo beneficiada na colheita; e,

 

(d) permitindo o casamento de Boaz com Rute, suscitando descendência a Noemi (Rt 4.13-15).

 

·         O Deus da compaixão (Rt 2.20).

 

A palavra “compaixão” segundo o Aurélio quer dizer: “pesar que em nós desperta ante a infelicidade, a dor, o mal de outrem” (2004, p. 507). Segundo Soares (2008, p. 76), “misericórdia é o termo teológico para compaixão; trata-se da disposição de Deus para socorrer os oprimidos e perdoar os culpados”. A Bíblia nos mostra que Deus cheio de compaixão e misericórdia (Nm 14.18; I Cr 21.13; Ne 9.31; Sl 86.15; Jn 4.11).

 

No período dos juízes, especificamente, vemos que sempre que Israel pecava contra Deus, ele recebia severas punições (Jz 1.4; 2.14; 13.1). Todavia, quando este povo arrependido se voltava para Deus, ele os perdoava e abençoava (Jz 2.16; 3.9,15). De igual forma, apesar dos erros cometidos por Elimeque, Deus resolveu usar de misericórdia em relação a sua esposa (Rt 1.6). Na oração de Habacuque, vemos o profeta pedindo: “[...] na tua ira lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).

 

·         O Deus que muda a história (Rt 4.14-22).

 

Diante das vicissitudes da vida, Noemi cujo nome significa “agradável” desejou que a chamassem de Mara que significa: “amarga”. Na sua precipitação, atribuiu sua amargura a Deus, entendo que Ele a puniu junto com a sua família (Rt 1.20-b). Todavia, apesar de tal cosmovisão errada a respeito de Deus, Noemi ao retornar para Belém, viu o Senhor reconstruir sua vida e mudar a sua história. Rute, casou-se com Boaz. Este homem é apresentado em Rute 2.1 como “homem poderoso e rico”, parente do marido falecido de Noemi. Ele era dono das terras nas quais Rute foi respigar, quando buscava um campo onde recolher algumas espigas (Rt 2.3).

Sua chegada no campo deu a Boaz a oportunidade inicial de tornar-se seu benfeitor e abriu o caminho para que se casasse com ela no sistema do levirato (Dt 25.5,6; Rt 3 e 4). Sua união foi abençoada com um filho que recebeu o nome de Obede que significa: “servo”. Através deste, o nome do seu marido poderia ser levado adiante por meio dos seus descendentes. Obede foi o pai de Jessé, avo de Davi, e ancestral do Senhor Jesus (Rt 4.17,21,22; 1 Cr 2.12; Mt 1.5; Lc 3.32). O resgate das terras de Elimeleque por Boaz; seu casamento com Rute; e, este filho nascido dessa união trouxe tanta alegria a Noemi que as mulheres lhe diziam: “[...] Bendito seja o SENHOR, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel. Ele te será por restaurador da alma, e nutrirá a tua velhice [...]” (Rt 4.14,15). Deus reverteu todos os infortúnios vividos por Noemi, restaurando-lhe a sorte em todas as áreas da sua vida.

 

CONCLUSÃO

 

Embora Noemi tivesse passado por grande tristeza e adversidade na vida, manteve sua fé em Deus. Por causa de sua fé perseverante, Deus ordenou os eventos de tal maneira que no final ela teve uma vida agradável e abençoada. Ela podia testificar, no fim da vida, que “o Senhor é muito misericordioso e piedoso (Tg 5.11).

 

Elaboração pelo Pb. Mickel de Souza

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Referências

 

·         ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.

·         CAMPOS, Heber. A Provisão e a sua realização histórica. CULTURA CRISTÃ.

·         CHAMPLIN, Norman R. N. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. HAGNOS.

·         STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

·         Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco - Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais