10 de outubro de 2017

A Salvação e o Advento do Salvador


A Salvação e o Advento do Salvador

 TEXTO ÁUREO = "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)

VERDADE PRÁTICA = O nascimento de Jesus Cristo se deu dentro do plano divino para salvar a humanidade.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Jo 1.9-12: Jesus Cristo é a luz de todos os que creem

Terça - Mt 1.1-17: O nascimento de Jesus e a linhagem de Davi

Quarta - Rm 5.14-17: Jesus Cristo, mediante sua morte, tira o pecado do mundo

Quinta – Rm 3.23,24: A justificação do pecador foi um ato da graça de Deus

Sexta – Ef 2.8: A salvação pela graça mediante a fé somente

Sábado - Jo 3.16: O amor de Deus pela humanidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE João 1:1-14

1 = NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 = Ele estava no princípio com Deus.

3 = Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 = Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.                                                                            
5 = E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6 = Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 = Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

8 = Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.                                                                               
9 = Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

10 = Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.

11 = Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.                                                                                  
12 = Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;

13 = Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

14= E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

HINOS SUGERIDOS: 21, 315, 542 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o nascimento de Jesus Cristo se deu dentro do plano divino para salvar a humanidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.

I- Apresentar como se deu o anúncio do nascimento do Salvador;

II- Explicar a respeito da concepção do Salvador; Mostrar que "o

III- Verbo se fez carne e habitou entre nós".

INTRODUÇÃO

De vez em quando, precisamos, como se fosse dar um passeio pela antiguidade; não porque estamos esquecidos, de propósito, dos eventos de Cristo, mas porque em um mundo de demasiadas ocupações, devemos lembrar-nos daquilo que tem valor verdadeiro. Na Ceia do Senhor viajamos de novo ao Calvário; no tempo da Páscoa, visitamos o sepulcro vazio, é tempo de aceitar o convite dos pastores: “Vamos até Belém”. Vamos então, fazer uma viagem no tempo, através das páginas das Escrituras até à manjedoura e meditar de novo sobre o sentido do advento de Cristo a este mundo.

A anunciação do nascimento do Salvador é um dos fatos mais extraordinários da Bíblia, pois reflete o cumprimento de uma série de profecias referentes a redenção do ser humano. O mistério, que até então estava oculto em Deus, começava a se desvendar, e o plano divino de libertação estava prestes a se concretizar.

1. O ANUNCIO DO NASCIMENTO  DO SALVADOR

1. O cumprimento das profecias. Quando houve a queda do homem no Eden, Deus prometeu que enviaria um Redentor, para redimi- lo do pecado. Ao longo dos séculos, a mesma promessa foi repetida diversas vezes, e forneceu detalhes precisos sobre o lugar do seu nascimento e a maravilhosa Obra que realizaria (Gn 21.12; 22.18; 49.10; Nrn24.17;Dt18.15;Is l1.1;Jr23.5; Mq 5.2; Zc 12.10). Agora, era chegado o momento do cumprimento delas.

2. O portador da notícia. O anjo Gabriel trouxe as novas (v.26). Ele pertence a uma classe muito elevada, pois assiste diante de Deus (Lc 1.19) e lhe foram confiadas mensagens divinas da mais alta importância a homens como Daniel (Dn 8.16; 9.21-27), sobre a palavra profética; e Zacarias (Lc 1.11-13,19), sobre o nascimento de João Batista.

A profecia antiga dizia que o Messias nasceria em Belém (Mq 5.2), e Deus usou a burocracia do Império Romano para fazê-la cumprir. Foi decretado pelo imperador Cesar Augusto uni recenseamento em todas as províncias do Império, onde “todo o mundo” teria que se alistar (Lc 2.1), certamente para fins de impostos. Conforme o costume antigo, cada pessoa tinha de comparecer à sua própria cidade. Foi profetizado, também, que o Messias seria um descendente de Davi.

Na providência de Deus a casa de Davi sobrevivia e o herdeiro ao trono era um humilde carpinteiro chamado José. Por ele Jesus recebeu o direito legal ao trono de Israel. Veja Mt l.l6e Lc l.26,27;2.3-5.

Um casal pobre, humilde e sem aparência, não encontrando cômodo confortável onde abrigar-se, “porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.7), procurou abrigo numa estrebaria, junto aos animais. Assim aconteceu que a Glória de Israel e a Luz dos gentios ,nasceu na manjedoura.

Não havia lugar na hospedaria! Isto, de fato, era profético da exclusão de Cristo nos negócios dos homens. Ele está excluído dos negócios deles e o resultado é que as guerras e contendas assolam a terra. Como na parábola do Filho Pródigo, este mundo deve descer as profundezas da degradação antes de descobrir que existe o Pão da Vida, na casa do Pai.

3. A época, “No sexto mês” (v.26),. é uma referência à concepção de Isabel já nos dias de sua velhice (Lc 1.11-25,36). Na verdade, era chegada a “plenitude dos tempos” (Gl 4.4), ou seja, o momento da execução do plano divino, previsto desde a fundação do mundo ( 2 Tm. 1.9,10), para a redenção humana.

4. O lugar. “A uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré” (v. 26). Não foi em Roma, a sede do império mundial da época; ou Jerusalém, a capital do governo civil e religioso de Israel, mas na humilde e desprezada Nazaré (Jo 1.46). Embora nascido em Belém da Judéia, Jesus passou boa parte de sua vida em Nazaré (Mt 2.23; Lc 2.39-51); daí, a razão de Ele ser chamado “Jesus, o Nazareno” (Mt 26.71; At 2.22; 3.6; 6.l4;22.8).

5. O ANÚNCIO AOS PASTORES. A palavra “Evangelho” significa “boas novas”. Como são boas estas novas! Disse o anjo: “Pois eu vos trago uma boa nova de grande gozo que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que e Cristo Senhor” (Lc 2.10,11). Mas, se o anjo tivesse dito: Hoje vos nasceu um grande general! O mundo teria ficado satisfeito? De forma alguma; já havia muitos generais no mundo - demais, talvez, para haver paz no mundo.

E se o anjo tivesse anunciado o nascimento de um grande instrutor? Se a instrução pudesse salvar o mundo, então o Milênio já teria começado, porque não há falta de escolas.

E se o anjo tivesse anunciado o nascimento de mii grande estadista? Havia muitos estadistas eficientes naquele tempo, porque Roma se orgulhava de tais homens. Mas a felicidade e a justiça não se produzem por legislação.

Uma vez mais, se o anjo tivesse anunciado o nascimento de um filósofo? Havia muitos pensadores naquela época, os quais exortavam ao povo a viver, retamente, mas, infelizmente, não podiam conceder-lhe a capacidade de viver retamente. Para que aproveita o ficar calmamente na praia e fazer um lindo discurso sobre natação,a uma pessoa que está morrendo afogada nas águas? Contudo, tal áo quadro do moralista experimentando tornar o povo bom, e salvá-lo do seu pecado. O homem morrendo afogado no precisa de um orador, mas de alguém para o salvar.

O que o mundo necessita, acima de tudo, é um Salvador, porque os problemas e as perturbações do mundo são basicamente espirituais e morais. Satisfazia a necessidade quando os anjos disseram aos pastores: “É que hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador”, e, quando o anjo disse a José: “A quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).

Depois dos pastores terem ouvido e crido nas notícias de grande alegria, e terem visto o menino Jesus, o Príncipe da Paz e Salvador dos homens, “voltaram glorificando e louvando a Deus”. A paz e a alegria sempre acompanham àqueles que entram em contato com Cristo, o Salvador. Vamos neste Natal aquecer o coração com o calor confortador da mensagem de salvação trazida aos homens, pelo Príncipe da Paz - Jesus Cristo, o Senhor.

II- CONCEPÇÃO DO SALVADOR

UM PLANO CONCEBIDO DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO = I Pedro 1:18-21

1. A origem do plano da salvação: O plano de salvação não foi elaborado por Deus no momento em que surgiu o pecado no mundo. A Bíblia diz que antes de criar o mundo Deus havia criado o plano da salvação.

 2. O motivo do plano da salvação: A salvação resulta do amor de Deus e não do pecado humano. O plano de salvação revela o caráter amoroso de Deus, não um desespero ou uma emergência diante de uma tragédia imprevista.

3. A revelação do plano da salvação: O plano de salvação do pecador foi o remédio elaborado na eternidade, predito por Deus na história e efetivado no fim dos tempos, na vida, morte e ressurreição de Jesus.

III.  O REMÉDIO PARA O PECADO FOI PROVIDENCIADO ANTES MESMO QUE ELE ARRUINASSE A VIDA HUMANA – I Pedro 1:18-20

 1. Antes de existir morte no mundo, o assunto da morte já havia sido tratado no Céu.

 2. Antes dos pecadores sofrerem as consequências dos seus pecados Jesus já havia providenciado a solução para elas.

 3. Antes da criação do ser humano, Deus já tinha cuidado de tudo, até mesmo se ele viesse a desobedecer.

IV. O REMÉDIO PARA O PECADOR FOI PROJETADO ANTES DO SER HUMANO CAIR EM PECADO – I Pedro 1:19-20

 1. Antes de Deus criar o mundo Ele elaborou o plano de salvação.

 2. Antes da fundação do mundo Jesus já era conhecido como o Cordeiro sem defeito e sem mácula, que derramaria seu sangue pelo ser humano, caso caísse em pecado.

 3. Antes da criação do mundo e do ser humano cair em pecado, o Messias já era conhecido no Céu como Aquele que assumiria a desgraça causada pela humanidade.

V. O REMEDIO PARA O PECADO FOI PREVISTO NA ETERNIDADE, MAS DESVENDADO CERCA DE 4.000 ANOS DEPOIS –I Pedro 1:20-21

 1. Assim que Adão e Eva pecaram Deus matou um cordeiro para revesti-los de pele (Gênesis 3:21); isso apontava para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29).

2. Assim que Adão e Eva pecaram tiveram uma conversa com Deus, o qual logo revelou o plano (Gênesis 3:15). Esse plano foi-se revelando no decorrer da história por meio de altares de sacrifícios, tabernáculo/santuário, templo... até chegar no alto do monte Calvário!

3. Embora Deus não tenha sido pego de surpresa quando Adão e Eva pecaram, a solução de Deus manifestou-se no fim dos tempos, cerca de 4.000 anos depois do pecado,  mais ou menos 2.000 anos atrás.

4. O plano da salvação existia bem antes da fundação do mundo: O plano de Jesus tornar-se Messias, Redentor foi projetado antes de ser estabelecido os fundamentos da terra, pois o propósito de salvar remonta a tempos anteriores à criação do mundo. Na cruz, o projeto originado na eternidade se tornou um fato histórico.

5. O plano da salvação era conhecido antes da queda humana no pecado: A missão de salvar sempre foi o eterno propósito da Trindade, mesmo que ainda não tivesse ninguém para salvar. Desta forma, antes da existência do pecado no mundo, o plano para resolver o problema do pecado já existia, mas concretizou-se em Jesus na cruz e Sua ressurreição.

6. O plano da salvação manifestou-se plenamente no fim dos tempos: A estratégia de redimir o pecador vem antes de criar o homem, mostrando assim que Deus já era Redentor quando atuava como Criador; portanto, o que foi decidido na eternidade manifestou-se num ponto de nossa história, no primeiro século da era cristã, no topo do Monte Calvário.


VI. A SALVAÇÃO ANUNCIADA PELA IGREJA =ATOS 2.37-42,47

O fervor espiritual que caracterizava os crentes, e a Igreja, era algo sobrenatural que os impulsionava à realização da grande e sublime tarefa de ganhar almas para o Senhor. Mencionamos abaixo alguns aspectos da mensagem que pregavam:

1. Base Bíblica. Não pregavam suas idéias ou filosofias; porém, baseavam todo seu testemunho nas Escrituras (At 1.16,20; 2.16,21). A palavra de Deus gera a fé nos corações (Rm 10.17).

2. Arrependimento (v.38). Davam ênfase muito grande ao arrependimento, como condição para alcançar o perdão (At 3.19). Isto deveria ser uma atitude individual, como a salvação também o é ( Jo 3.3,5; Mt 7.13,14; Ap 22.17).

3. Ênfase ao nome de Jesus (v.38). Os judeus reconheciam o Pai e o Espírito Santo, mas não o Filho. Ao enfatizarem este nome, visavam o reconhecimento de Jesus como o Messias, o Redentor (At 2.22,36), e a salvação única e exclusivamente neste nome (Lc 24.47; At 4.12).

VII. A SALVAÇÃO ANUNCIADA DURANTE A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

Durante a história do Cristianismo, a Igreja prosseguiu, parcialmente, na sua missão de anunciar a salvação. Vejamos, resumidamente:

1. Era apostólica (até 100 d.C.). Durante este período, a mensagem do

Evangelho foi propagada em todo o mundo conhecido na época (Cl 1.6,23), e alcançou todo o Império Romano, como Israel, Síria, Chipre, Ásia, Ásia Menor, Macedônia, Acaia, Creta e Itália.

2. Era pós-apostólica até Constantino (de 10(1 d.C. até 313 d.C.). Os cristãos, representados por alguns missionários, bem como por comerciantes, soldados e escravos, se dispersaram por todo o Império e outras regiões, e levaram a mensagem da salvação, não obstante, sofrerem oposições dos imperadores romanos. Assim, algumas regiões da França, Índia, África, Pérsia, Egito, Arábia e Armênia foram alcançadas.

3. De Constantino a Lutero (de 313 d.C. até 1517 d.C.). A mensagem continuou a ser divulgada pela Igreja, principalmente, na Europa. Foram alcançadas algumas regiões da Romênia, Irlanda, Escócia, França, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Suíça, Itália, Espanha, Suécia, Morávia, Boêmia, Inglaterra, Noruega, India, Rússia e Groelândia.

4. De Lutero ao início do século 20 (De 1517 d.C. até 1900 d.C.). E o período dos grandes reformadores e missionários que levaram a mensagem da salvação à Alemanha, Suíça, França, Escócia, Inglaterra. Índia, África, China, Birmânia, América latina, Oceania e aos Estados Unidos. Durante este período, surgiram igrejas evangélicas de fé e ordem diferentes.

5. De 1900 d.C. até nossos dias. Milhões dc pessoas têm sido alcançadas pela mensagem de salvação, neste período, em muitos países, entre eles o Brasil. Porém, para a Igreja cumprir o seu papel de evangelização mundial, falta muito. Apenas, parcialmente, ela tem evangelizado. Conforme alguns órgãos oficiais de estatística, temos o seguinte quadro, que representa um grande desafio para a atualidade: população mundial: cerca de 5,1 bilhões, dos quais 1,5 bilhão são cristãos, e apenas cerca de 400 milhões são nascidos de novo. 1,5 bilhão de pessoas não-cristãs vivem em contato com as cristãs.

E, o que é mais triste, cerca de 2,5 bilhões não têm contato com cristãos e nunca ouviram o Evangelho. Portanto, a missão da Igreja ainda está incompleta, pois falta alcançar bilhões de pessoas com a mensagem da salvação., A nível das Assembléias de Deus no mundo, foi elaborado um plano, ora em execução, que visa ganhar milhões de almas para Cristo, até o ano 2000. Para o Brasil, a meta é alcançar 50 milhões de almas. Se a Igreja atual canalizar todos os seus esforços para a conquista dos pecadores, em breve espaço de tempo evangelizaremos o mundo todo, pois dispomos de recursos humanos e tecnológicos para tal empreendimento.

VIII. A PROCLAMAÇÃO DA SALVAÇÃO E AS PERSEGUIÇÕES

As perseguições que se sucederam ao longo da história do Cristianismo, não abateram, de forma alguma, o ímpeto da Igreja, para a evangelização dos povos. Nem as ameaças, proibições, açoites, mortes; nem o fato de seus corpos serem queimados ou entregues às feras, para serem devorados, impediu que continuassem a divulgar a mensagem da salvação. O povo de Deus, quando perseguido, sempre se mostrou mais animado (At 5.41,42; Fp 1.12-14; Hb 11.35).

IX. O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NOS

Deus reservou aos homens o melhor de sua glória ao planejar o envio de seu Filho ao mundo. Toda a experiência de uma pessoa com Jesus em seu início é rasa, levando em conta a dureza dos nossos corações, gerada pelo pecado.

No entanto, a perseverança e firmeza neste propósito leva-nos a dimensões consideráveis desta fonte de vida e poder que o relacionamento mais íntimo de Jesus com os homens oferece.

X. O VERBO E SUA ORIGEM

O Evangelho de João é o canal de Deus para nos fazer compreender sobre a presença de Jesus, o Verbo divino, entre homens. Jesus não é uma criatura de Deus. Uma coisa é avaliar, através da Bíblia, nas citações dos apóstolos, a magistral encarnação do Verbo entre nós; outra é poder, na mesma Bíblia, ouvir Jesus falando com seus próprios lábios, identificando-se como aquele que sempre foi, sempre é, e sempre será o Filho glorificado que, mesmo tendo deixado a glória momentânea, providencialmente retornou com honras.

De forma clara vemos isso na oração sacerdotal, quando Ele mesmo confirma sua existência eterna: “antes que houvesse mundo", Jo 17: 5. 

a)   A origem. Enquanto os três outros Evangelhos iniciam-se falando sobre o nascimento de Jesus, João, indo muito mais distante, revela sua existência antes da criação: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus... e o Verbo era Deus”, 1: 1.

Refere-se a um tempo a que chama de princípio que, em consonância com Gn. 1: 1, também revela um tempo ocorrido antes da obra criadora de Deus, Col. 1: 17.

b) O propósito. Isso nos leva a entender o grande amor de Deus e seus desígnios. Podemos saber que Deus não se assentou no vazio de uma terra sem forma para comandar o nada, mas planejou a sua obra e a estabeleceu para fazer o homem coroa de sua criação e que nisto sentiu prazer e deleite. Ef. 3: 9 aponta também para este princípio quando diz: “desde os séculos oculto em Deus...

c) A visão dos profetas. Antes da encarnação de Jesus, sua vinda era contemplada, crida e aceita pela fé. Isaías disse que o povo que andava em trevas (os perdidos) viu uma grande luz, Is. 9: 2.

XI. A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Depois de considerar a existência e capacidade do Verbo, João passa a mostrar em síntese o processo completo de sua humanização, usando duas palavras: verbo e luz.

a) Luz dos homens. Primeiro fala da presença do Verbo com Deus, sendo Deus, agindo como Deus, para depois falar da luz, no extraordinário verso 4. Nesse ponto Deus está graciosa e generosamente voltando-se para o homem. Luz é um termo para homens, é vida, e contrasta com trevas, a morte eterna. Luz é algo novo, que contrasta com a ideia de antiguidade expressa por “no princípio”.

b) Habitou entre os homens. O verso 14 relata uma das mais conhecidas citações em toda a Bíblia: “0 Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai.”

Além de outras grandes lições, esta passagem deixa claro o ponto básico deste estudo: a encarnação do Verbo. Recebeu forma humana e tabernaculou entre os homens.  Que fato extraordinário quando visto de nossa frágil perspectiva: um Deus tão gigante e glorioso se digna assumir de forma mais direta e envolvente possível a nossa conjuntura desgastada. E apresentou-se cheio de graça e de verdade entre os homens.

c) O nascimento. Assim, em Lc. 1: 31-35 temos a mensagem do anúncio do nascimento de Jesus a Maria, como uma introdução maravilhosa, onde Deus, por causa de sua santidade e propósito, revela que Maria ficaria grávida pelo Espírito Santo. O texto de Lc. 2 : 7 registra o nascimento em seu momento preciso: “E ela deu à luz...” concretizando a encarnação majestosa.

d) O nome Jesus. Deus nunca precisou, no tocante a si mesmo, de nome ou nomes para ser visto. Mas já que o propósito da intervenção de Deus, no que se refere à salvação, era Jesus, então uma identidade divina entre os homens precisava ser alcançada. E por isto Deus ordenou ao seu anjo que levasse a Maria o nome que o seu Filho obteria na terra: Lc. 1: 3. Jesus, no hebraico, quer dizer salvador.

XII. O CARÁTER DO VERBO

Depois de ter considerado a origem e a encarnação do Verbo, para conhecê-lo melhor, vejamos agora o seu caráter, baseados no texto de Cl. 1: 15-17.

a) A imagem visível. O v. 15 diz que Jesus é a imagem do Deus invisível, apontando para a revelação do próprio Deus, pois a expressão imagem está ligada também à encarnação, ou seja, é uma forma humana de se ver Deus.

b) Primogênito. Termo que Paulo usa para definir a característica de Jesus como aquele que se revela ao mundo e pode ser percebido por aqueles que crerem nEle.

c) Criador. Termo usado para se referir a Jesus, v.16, confirmando sua participação na obra criadora. Todavia mais excelente aqui é o destaque sobre sua relevância sublime no céu.

Se admitimos que Ele também estava no princípio e que é feitor de todas as coisas, admitimos também que é poderoso pela e entre as obras que fez. De fato, o v. 17 informa sobre sua preexistência e salienta o seu domínio. Isso está claramente confirmado em Hb 1: 2-3, onde o desconhecido escritor aborda também, além da revelação que nEle consiste, a excelência do seu nome, e sua superioridade entre os anjos.

CONCLUSÃO

De modo que o motivo principal do nascimento de Jesus na Terra foi, como ele mesmo disse, “a fim de dar testemunho da verdade”. (João 18:37) Fez isso por mostrar com palavras e com ações que o governo de Deus é totalmente justo e que a sujeição a ele resulta em felicidade duradoura. Jesus explicou também que veio ao mundo para dar a sua vida humana “como resgate em troca de muitos”, abrindo o caminho para que humanos pecadores pudessem obter a perfeição e a vida eterna. (Marcos 10:45) Para que a humanidade compreendesse esses assuntos vitais, era necessário haver o registro do nascimento de Jesus.

Jesus é o autor da salvação (Lc 2.11; 2Tm 1.10; Lc 2.30; Hb 5.9), e como Salvador, Ele têm poder de perdoar os nosso pecados (Mc 2.10), a todos quanto O receberam, Ele deu o poder para serem filhos de Deus, aos que creem em seu nome (Jo 1.11-12). Porque Ele recebeu todo o poder nos céus e na terra (Mt 28.18). Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2.3-5).

O nome de Jesus não somente nos garante perfeita salvação, mas também vitória em todas as circunstâncias de nossa vida, e também robustece a nossa alma na esperança de um reino futuro, eterno e cheio de paz.

 

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Lições bíblicas CPAD 1995

Revista de Estudos Bíblicos Aleluia

http://portal-biblico.blogspot.com.br

 

 

A SALVAÇÃO E O NASCIMENTO DO SALVADOR

 

TEXTO ÁUREO = "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)

 

VERDADE PRÁTICA = O nascimento de Jesus Cristo se deu dentro do plano divino para salvar a humanidade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE João 1:1-14

HINOS SUGERIDOS: 21, 315, 542 da Harpa Cristã

 

INTRODUÇÃO

 

A salvação é um ato divinamente iniciado na fundação do mundo e humanamente realizado por Cristo ao nascer em Belém. O verbo divino precisou tomar a forma humana e passar por todas as vicissitudes pertinentes a ela para satisfazer as exigências da redenção, tomando sobre si o pecado de toda humanidade. O nascimento de Jesus marca o início de uma nova era para a humanidade onde a promessa de perdão e salvação é efetuada por Cristo. Deus tomou a iniciativa da salvação antes mesmo que houvesse necessidade dela; assim, Deus pai decreta a salvação, o Filho efetua-a, e o Espírito Santo aplica-a.

O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DO SALVADOR

O Antigo Testamento está repleto de profecias e vaticínios que apontam para o nascimento de Jesus, o Messias, como o Redentor. A própria vida de alguns profetas do AT é um antítipo de Cristo como, por exemplo, Moisés e Elias, cujas vidas e obras apontam para a vida abnegada e sacrificial de Cristo, especialmente Moisés como o libertador nacional. Alguns reis de Israel também servem de figura para o Rei dos reis, cujas lideranças promoveram a união nacional e a expansão do povo de Deus. Davi pode ser colocado nesse grupo como um homem segundo o coração de Deus e pelas promessas que Deus fez-lhe como iniciador de uma dinastia de reis, apontando para Cristo, que nunca terminariam seu reinado (2 Sm 7.16; Sl 45.6).

Até mesmo Ciro (Is 45.1), um rei pagão a quem Deus chama de “meu ungido”, tendo em vista seu trabalho de restauração da nação de Israel, pode ser uma figura profética de Cristo porque permitiu a restauração de Israel após o cativeiro. Dessa forma, vê-se, como em vários textos do AT, que Cristo está presente (Lc 24.45; Gn 3.15; 22.18; 26.4; 49.10; Nm 21.9; Dt 18.15; Si 16.9-10; Jr 23.5; Ez 34.23; Dn 9.24; Mq 7.20; Mi 3.1; Jo 1.45), como afirma o evangelista:“E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escritura” (Lc 24.27).

João Crisóstomo afirmou que “ler todos os livros proféticos sem enxergar Cristo neles seria extremamente insípido e sem graça. Ver Cristo neles revela sua fragrância”. Portanto, toda beleza poética e profética do AT remete, aponta e prefigura o nascimento e obra de Cristo. A vinda do salvador é profetizada na Queda do homem (Gn 3.15); no sacrificio de Isaque; no simbolismo do êxodo na saída do Egito e no sangue de animais no umbral das portas na noite da páscoa; nos 26 salmos messiânicos, como veremos adiante; na volta do exílio babilônico e nos profetas, especialmente os messiânicos e, especificamente, em Isaías, num bloco dedicado ao Messias (Is 7.1-12.6), chamado “O livro do Emanuel”.

Do AT, Isaías foi um dos profetas mais específicos, proficuos e profundos sobre o Messias. Suas predições estão repletas de poesia arrebatadora que fluem da inspiração divina de um profeta culto que se colocou inteiramente à disposição do Senhor para, com detalhes, vaticinar o nascimento e a vida de Cristo. Suas profecias são tão abrangentes que o livro de Isaías é chamado de “O evangelho do Antigo Testamento”, pois descortina diante do leitor a Cristo e seu evangelho 700 anos antes de Ele nascer.

Dentre os profetas, ele é o mais celebrado do Antigo Testamento, com muita profundidade teológica, especialmente na Soteriologia, na Cristologia e na Escatologia, tendo em vista sua grande capacidade literária em ser poeta e orador, um artista de palavras, um grande estadista, reformador e teólogo.1 Isso tudo torna seu livro extremamente gratificante de ler, mas também nos deparamos com a complexidade de seus vaticínios, cujo fio condutor aponta para o nascimento e vida do Salvador.

 

O tema central de Isaías é o amor de Deus demonstrado no socorro ao seu povo através do sacrificio do Servo Sofredor, ou seja, a grande salvação de Deus, apesar da situação caiamitosa do povo de Israel. Por isso, um dos principais objetivos dc Isaías ao escrever era, dentre outros, anunciar a vinda do Messias, o único que seria capaz de tirar o povo do pecado e trazer completa libertação.

Em Isaias 6.13, Deus alerta o profeta para que não fique frustrado, pois sua mensagem não seria ouvida até que tudo ficasse desolado e desabitado, mas, depois, eia produziria resultados, e suas profecias seriam cumpridas. Foram 40 anos de ministério e grandes mensagens rejeitadas até que, finalmente, o tronco começaria a brotar na volta do exílio. Paradoxalmente, a frutificação a partir de troncos feios e queimados é um contraste humilhante diante da grandeza e glória do Deus que se revelou a Isaías. Sobraria uma floresta de troncos decepados, mas, desses troncos, brotaria uma semente que faria toda a diferença: Cristo, que salvaria não somente o povo de Israel, como também todo o mundo (Jo 3.16).

Além do profeta messiânico Isaías, temos outras profecias específicas que se cumpriram em Cristo, especialmente nos salmos messiânicos, os quais enumeramos abaixo, sendo a primeira referência a profecia, e a segunda, seu cumprimento: o Messias, Jesus, seria Filho de Deus e declarado pelo Pai como tal (Sl 2.7 >Mt 3.17);

Todas as coisas seriam postas debaixo dos pés do Messias (Sl 8.6 >Hb 2.8);

Jesus ressuscitaria da morte (Sl 16.10 > Mc 16.6-7);

Deus iria desampará-lo na hora da necessidade (Sl 22.1 >Mt 27.46);

Seria zombado e insultado (Sl 22.7-8 >Lc 23.35);

Suas mãos e seus pés seriam perfurados (Sl 22.16 >Jo 20.25,27);

Lançariam sorte sobre suas vestes (Sl 22.18 >Mt 27.35-36);

Não lhe seria quebrado nenhum osso (Sl 34.20 >Jo 19.32-33, 36);

Seria acusado por testemunhas mentirosas e iníquas ( Sl 35.11 > Mc 14.57);

Seria odiado sem motivo (Sl 35.19 > J0 15.25);

Viria para fazer a vontade de Deus (Sl 40.7-8 >Hb 10.7);

Seria traído por um amigo (Sl 41.9 >Lc 22.47-48);

Seu trono seria eterno (Sl 45.6 >Hb 1.8);

Assentar-se-ia à destra de Deus (Sl 68.18 > Mc 16.19);

O zelo pela casa de Deus consumi-lo-ia (Sl 69.9 >Jo 2.17);

Receberia fel e vinagre para beber (Sl 69.2 1 >Mt 27.34);

Teria um reino eterno (Si 72.1-5, 17 >Lc 1.32-33)

E mundial (Sl 72.8-11, 19 >Jo 1.5-9; At 13.47-48);

Julgaria o povo e os pobres com justiça e equidade (Sl 72.2- 4 >Lc 4.17-19);

Falaria em parábolas (Sl 78.2 >Mt 13.34);

Oraria em favor dos seus inimigos (Sl 109.4 >Lc 23.34);

O lugar do seu traidor seria tomado por outro discípulo (Si 109.8 > At 1.20);

Os seus inimigos seriam subjugados debaixo dos seus pés (Sl 110.1 >Mt 22.44);

Seria um sacerdote segundo a ordem de Meiquisedeque (Si 110.4>Hb 5.6);

Seria a pedra angular (Si 118.22 >Mt 2 1.42)

E viria em nome do Senhor (Si 118.26 >Mt21.9).

O Novo Testamento diversas vezes afirma que Jesus reivindicou para si o título de Salvador (Jo 4.26; 6.35; 8.12,18,23; 11.25; 13.13,19; 14.6), como havia sido prometido no Antigo Testamento. Embora algumas profecias fizessem referência a Cristo como o Rei Vindouro, Jesus permaneceu longe das tentações do poder temporal e da política exploradora. Seu reinado seria eterno e atemporal (Jo 18.36).

Seu Reino estaria no coração das pessoas e teria um alcance global (1 Co 4.20). Algumas vezes, Ele até mesmo proibiu aqueles que foram curados de espalharem sua fama e seus feitos para que seu ministério não fosse mal interpretado por Roma (Mt 12.1 6),2 ou mesmo para manter seu ministério em caráter subversivo, sem estardalhaços nem exibicionismos (Lc 4.9). Na cruz e na ressurreição, Jesus venceu Satanás e os poderes demoníacos que escravizavam toda a humanidade oferecendo-nos a possibilidade da libertação e redenção. A dimensão da vitória de Cristo é fundamental para a teologia pentecostal.

A CONCEPÇÃO DO SALVADOR

Jesus foi anunciado pelos anjos, nasceu de uma virgem e foi celebrado entre os homens. Seu nascimento foi um divisor de águas na história da humanidade. Aquilo que havia sido profetizado e predito de várias formas no Antigo Testamento tornou-se realidade com o seu nascimento. A partir do nascimento do Rei Jesus — um evento único e não repetível —, há esperança para a humanidade e inaugura-se, assim, a chegada do Reino de Deus a terra, ainda que de forma invisível, porém plenamente factível nos corações, nas atitudes e nos caminhos que o ser humano pode percorrer tendo Ele como Rei.

Para alcançar essa realidade, Ele precisou vir ao mundo. Dessa forma, Ele nasceu longe de casa, peregrinando para Jerusalém, sem acomodações adequadas e num ambiente inóspito e extremamente humilde.

Se fosse nos dias de hoje, talvez nascesse embaixo de um viaduto. Essa é a demonstração que Deus lançou mão para mostrar que, de fato, o Filho abandonou sua mais extrema glória para habitar entre os homens na mais extrema humildade e pobreza. Esse esvaziamento de Cristo (Fp 2.7) é um gesto extremo de doação de si mesmo, comprovando que não poderia haver maior entrega do que essa para anunciar ao mundo aquilo que Deus é: amor!

Uma pergunta que permanece quando se fala da concepção virginal de Jesus é: “Por que isso se fez necessário?” Uma resposta plausível é que o nascimento de Jesus é incomum no sentido de Ele ser pré-existente; os demais seres humanos são concebidos no ato sexual entre um homem e uma mulher; Cristo, porém, não precisou ser concebido, pois já existia como unigênito do Pai (1 J0 4.9) desde a interminável eternidade.

A protagonista principal do nascimento do Salvador foi uma mulher. As mulheres eram consideradas uma propriedade do homem e não podiam tomar decisões a não ser que o marido autorizasse-as a fazer algo, mas Deus, querendo mostrar a importância e o lugar de igualdade da mulher (Gl 3.28), tomou a iniciativa de fazer o Salvador nascer sem que Maria tivesse relações sexuais com um homem. Dessa forma, já em seu nascimento, o Salvador estava libertando as mulheres do pesado jugo imposto pelos homens da época. Isso corrobora com a maneira gentil e acolhedora com que Jesus tratou as mulheres durante seu ministério.

A concepção virginal de Jesus atesta também para a infinita graça de Deus em dar seu único filho para experimentar as mesmas dores e dificuldades da raça humana e ser o seu Salvador, pois essa mesma raça jamais poderia ser salva por seus próprios esforços e méritos. Assim, o nascimento virginal do Salvador ocorre sem qualquer intervenção humana, atestando, além da graciosidade divina, seu ato milagroso. Sobre isso, Gruden escreve:

O nascimento virginal de Cristo é um lembrete inequívoco de que a salvação jamais pode vir por meio do esforço humano, mas deve ser obra do próprio Deus. Nossa salvação deve-se apenas à obra sobrenatural de Deus, e isso ficou evidente bem no início da vida de Jesus quando “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim dc que recebêssemos a adoção de filhos.

O intercurso sem contato fisico entre a humanidade, representada em Maria, e a divindade possibilitou o nascimento de Cristo de forma a ser Ele completamente homem e completamente Deus ao mesmo tempo, numa paradoxal fusão e separação chamada de união hipostática. Assim, esses elementos unidos manifestaram sua divindade e sua humanidade, tendo a mesma substância que o constitui Deus infinitamente poderoso e a que nos constitui humanos; entretanto, essa união não produz um terceiro ser como se este fosse um híbrido humano divino, nem é uma metamorfose, mas, sim, um ser divino e humano ao mesmo tempo em plena manifestação de vida pessoal.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil declara que: As Escrituras Sagradas apresentam diversas características humanas em Jesus. O relato de sua infancia enfoca o seu desenvolvimento fisico, intelectual e espiritual: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens [...]. E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40,52). O profeta Isaías anunciou de antemão sobre Emanuel: “manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15).

Ele tomou-se homem para suprir a necessidade de salvação da humanidade. O termo “Emanuel”, que o próprio escritor sagrado traduziu por “DEUS CONOSCO” (Mt 1.23), mostra que Deus assumiu a forma humana e veio habitar entre os homens: “Eo Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

A Bíblia ensina tanto a divindade como a humanidade de Cristo: “E todo o espírito que confessa que Jesus não veio em carne não é de Deus” (1 Jo 4.3). A humanidade de Cristo está unida à sua divindade, pois Ele possui duas naturezas, e essa união mantém intactas as propriedades de cada natureza, o que está claramente expresso no seu nome Emanuel.

“O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS”

Entre os títulos messiânicos da tradição veterotestamentária e interpretados como sendo de Jesus de Nazaré, um em particular recebe destaque: “Emanuel”, que, no hebraico, é a junção de dois termos: immánu, que significa “conosco” e El, que significa “Deus” ou “Senhor”, literalmente “conosco [está] Deus”.

O título foi uma apropriação teológica atribuída ao profeta Isaías, já que a expressão aparece em dois versículos e indiretamente em um versículo. Seguem: (1°) “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14). (2°) “[...] e passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel (Is 8.8)”. (3°) “Tomai juntamente conselho, e ele será dissipado; dizei a palavra, e ela não subsistirá, porque Deus é conosco” (Is 8. 10).

O Emanuel é a garantia de que, assim como foi com o povo de Israel, Ele também está conosco, assim como Ele mesmo prometeu:

“Eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Assim se cumpre em nós a promessa messiânica de que Ele, de fato, estaria conosco. O apóstolo João escreveu: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). O verbo “habitar” (armar a sua tenda) utilizado por João tem o mesmo sentido que o Emanuel utilizado por Tsaías, ou seja, Deus agora habita definitivamente entre seu povo através de Cristo e de seu sacrificio na cruz.

 

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11).

O apóstolo Paulo refere-se à encarnação de Cristo como “aquele que foi manifestado na carne” (1 Tm 3.16), como Ele sendo a “imagem de Deus” (2 Co 4.4), que realizou sua obra de reconciliação “no corpo da sua carne” (Cl 1.22) e que Deus condenou o pecado na carne (Rm 8.3). Pedro afirma que Cristo morreu por nós na carne (1 Pe 3.18; 4.1). Portanto, as Escrituras estão repletas de confirmações de Jesus como Deus encarnado. João avisa que o espírito do Anticristo atua naqueles que negam que Cristo veio em carne (1 Jo 4.2; 2 Jo 7).

Quando Jesus tornou-se carne, Ele assumiu toda a humanidade com suas fragilidades próprias. Assim sendo, sua encarnação não foi uma farsa, mas, sim, a realidade concreta de que o ser divino excelso escolheu sentir toda a dor, toda a aflição e toda a tentação humana para, dessa forma, socorrer-nos em nossas fraquezas (Hb 4.15) e dar- nos a salvação “enviando o seu próprio filho em semelhança da carne do pecado” (Rm 8.3), condenando o pecado que nos afligia na carne.

A encarnação de Jesus é a afirmação verídica de que Ele tornou-se completamente homem, mas que, ao mesmo tempo, não deixou de ser completamente Deus (Jo 1.1-3; 10.30; Fp 2.6). Portanto, sem ter deixado de ser Deus, Deus tornou-se homem.

A realidade de um Deus santo encarnar é completamente anormal e impossível — é um paradoxo. Por isso, Paul Tillich afirma que o “paradoxo cristológico [da encarnação] e o paradoxo da justificação do pecador são um único e mesmo paradoxo — o paradoxo do Deus que aceita um mundo que o rejeita”. Assim, diante da situação pecaminosa do homem e diante da necessidade de a expiação ser feita por um ser humano perfeito, somente uma solução foi possível: o Filho de Deus encarnar, ou seja, deixar sua glória e majestade e tornar-se como um ser humano comum e sujeito às mesmas falhas e erros, mas sem pecado (Lv 4.3; Hb 4.15).

Para o plano de salvação ser aceito por Deus, ele deveria ser executado por alguém que pudesse ser Deus e homem ao mesmo tempo na função de mediador (1 Tm 2.5), alguém que pudesse colocar-se entre Deus e a criatura pecadora e sem esperança; para ser mediador, teria que ser Deus; para representar a humanidade, teria que ser homem. Somente Jesus poderia preencher esses requisitos em sua automanifestação divina, demonstrando o paradoxo de que aquEle que transcende o universo aparece no universo e está sujeito às suas condições limitantes por decisão própria, embora, a qualquer momento, pudesse utilizar seus atributos divinos incomunicávejsl2 (Mc 4.39).

Para Jesus cumprir a penalidade humana, Ele teria que morrer. Para morrer, Ele teria que ter um corpo (Jo l.14).13 Assim, conforme afirma a Confissão de Fé das Assembleias de Deus:

 

A encarnação do Senhor Jesus fez-se necessária para satisfazer a justiça de Deus: o pecado entrou no mundo por um homem, Adão, assim, tinha de ser vencido por um homem, Jesus. Em sua natureza humana, Jesus participou de nossa fraqueza física e emocional, mas não de nossa fraqueza moral e espiritual.

As duas naturezas de Jesus permaneceram inalteradas em sua essência; são revestidas de seus atributos inerentes e apresentam Jesus como uma única pessoa indivisível na qual as duas naturezas estão unidas, constituindo uma pessoa com uma só vontade e consciência. Essa união somente é possível por causa do parentesco do homem com Deus, ou seja, Deus soprou no homem o seu próprio fôlego de vida, instilando nele a sua essência e semelhança.

Ele não podia tornar-se árvore ou pedra, mas podia ser homem, pois foi feito à sua imagem. Assim como a imagem de Deus foi aviltada no homem pelo pecado, “Cristo, a imagem perfeita de Deus segundo a qual o homem foi feito, restaura aquela imagem perdida, unindo-se à humanidade e enchendo-a dc vida e amor divinos”. 16 A possibilidade da restauração da imagem de Deus, corrompida radicalmente pelo pecado, nos é dada novamente naquele que refletiu a perfeita imagem de Deus.

A plenitude da divindade (Cl 1.19; 2.9) encarnou em finitude humana na plenitude dos tempos (Gl 4.4). Isso torna possível que nós, simples mortais e sujeitos ao pecado, estejamos cheios de toda a plenitude de Deus (Ef 3.19) para refletir sua glória ao mundo através do amor com que nos amamos uns aos outros (Jo 13.35).

A encarnação foi a manifestação do Logos (Palavra) divino em Jesus como o Cristo. Por esse motivo, a Teologia cristã transcende outras teologias, pois “nenhum mito, nenhuma visão mística, nenhum princípio metafisico, nenhuma lei sagrada tem a concretude de uma vida pessoal [como a de Cristo]. Em comparação com uma vida pessoal, tudo o mais [outras teologias e religiões] é relativamente abstrato. E nenhum desses fundamentos relativamente abstratos da teologia tem a universalidade do Logos”.

A encarnação da Palavra em Jesus não era automática, mas, sim, fruto da obediência ao Pai em tudo. Jesus disse: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo” (Jo 5.30). Para obedecer àPalavra do Pai, Jesus teve que desobedecer às autoridades religiosas da época várias vezes. Ele teve momentos dificeis, em que orava: “Afasta de mim este cálice!” (Mc 14.36). Teve que pedir a ajuda dos amigos (Mt 26.38,40). Teve que orar muito para poder vencer (Hb 5.7; Lc 22.41-46). Apesar de tudo, Ele venceu! Ele mesmo o confirma: “Eu venci o mundo!” (Jo 16.33). Como diz a carta aos Hebreus: “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.7-8).

Teologicamente, afirma-se que o nascimento de Jesus é a sua encarnação e que sua morte é a expiação dos pecados. Assim, a humilhação de Jesus tem início com o seu esvaziamento ao tomar a forma de servo (Fp 2.7-8), culminando com seu sofrimento na cruz.

Portanto, sua humilhação está relacionada aos seus sofrimentos: a perseguição, o desprezo das autoridades, a discriminação (Jo 1.46), o silêncio diante de seus acusadores, os açoites impiedosos, o julgamento diante de Pilatos e Caifás e, por fim, a sua morte. Em Jesus, cumpriu-se cada detalhe do Servo Sofredor (Is 53) e, por esse motivo, devemos agir conforme o texto adiante.

E cabe a nós, igreja, anunciar ao mundo que em Cristo há um caminho para a salvação e para a vida abundante. Essa compreensão impele a igreja a um despertamento da necessidade de “sair para fora” e anunciar que há um juízo, mas que também há uma salvação em Cristo.

Quando Jesus andou na terra, ofereceu-nos o melhor exemplo, pois assumiu a forma humana plena e conviveu humildemente com a fraqueza humana. Quando estava cansado, não sentiu vergonha de dormir na popa do barco. Ele sentiu fome, chorou diante da miséria humana, do sofrimento alheio e do seu próprio e tomou-se servo dos discípulos (Jo 13); na cruz, porém, deu obrado final “está consumado” para que hoje pudéssemos estar salvos.

Dessa forma, devemos seguir o exemplo de humildade dEle e servir nossos irmãos. Basta-nos desfrutar dos beneficios de sua encarnação de maneira responsável e repartir essa benção infinita com o maior número possível de pessoas para que o Reino de Deus esteja entre os homens.

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

 

Livro A Obra da Salvação Claiton Ivan Pommerening 1º. Edição CPAD 2017

 

 

4 de outubro de 2017

Salvação na Páscoa Judaica



Salvação na Páscoa Judaica

 TEXTO ÁUREO "[...] Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com juízos grandes."(Êx 6.6)

VERDADE PRÁTICA = A libertação do povo israelita vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Êx 6.2-8: A promessa de Deus para salvar o seu povo e cumprir seus propósitos
Terça - Lv 23-4,5: Páscoa, uma das principais festas israelitas
Quarta – Dt 16.5,6: A celebração da Páscoa no local escolhido por Deus
Quinta - Mt 26.17,18: A orientação de Jesus e o preparo da Páscoa
Sexta - Lc 22,1,2: A conspiração contra Jesus antes da Páscoa
Sábado - Jo 1.35,36 Jesus é o Cordeiro de Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE EXODO 12: 21-24,29

21=  Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.
22 = Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã.
23 = Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.
24 = Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.
29 = E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.

HINOS SUGERIDOS; 41, 330, 400 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Saber que a libertação dos israelitas vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada, tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.
I- Mostrar como se deu a instituição da Páscoa;                                                                                                                                                                     II- Explicar a importância e o significado do cordeiro da Páscoa;                                                                                                                                                                                   III- Tratar a respeito da relevância e do significado do sangue do cordeiro na Páscoa.

INTRODUÇÃO

O povo de Israel viveu debaixo da escravidão egípcia por cerca de quatro séculos (Gn 15.13; At 7.6). Faraó os oprimia de todas as formas e não havia possibilidade humana de livramento (Êx 2.11-15), pelo que o povo clamou diante de Deus por uma libertação (Êx 2.23,24). O Senhor os ouviu e resolveu tirá-los daquela angustiante situação (Êx 3.7-9), através do sangue do cordeiro pascoal, que garantiu a saída vitoriosa de Israel da terra do Egito, a “casa da servidão” (Ex 13.14). Esta salvação garantida por Jeová, através do sangue do cordeiro, é uma figura bem clara da salvação propiciada pelo sangue de Jesus derramado na Cruz, que liberta o homem da “terra do Egito”, isto é, do pecado (Jo 1.29), e das “mãos de Faraó”, ou seja, de Satanás (Cl 1.13,14).

1. A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA

Como já vimos, há uma relação entre a Páscoa e a salvação humana: ambas representam a libertação; esta do pecado, e aquela da escravidão egípcia.

1. Escravidão de Israel. O povo experimentava uma situação crítica e era afligido pelos trabalhos braçais diários (Êx 1.12-14; 2.23-25; 3.7-9); ameaçado de extinção como nação (Êx 1.15-22); e, o que era pior, no podia sair pelos seus esforços (Ex 3.11-15). Esta é a situação daquele que está no pecado: sem paz (Is 48.22); dominado pela maldade (Jo 8.44); debaixo da influência maligna (Ef 2.2); e sem poder sair pelos seus esforços (Si 49.7,8; Ef 2.8-10).

2. Libertação divina. Deus resolveu libertá-los (Êx 3.7-10), fato evidenciado pelo observar atentamente a aflição; ouvir o seu clamor; conhecer as suas dores; descer para livrá-los; escolher um líder para tal. Deus quer libertar o homem de seus pecados (1 Tm 2.4; Jo 8.32,36).

3. Recusa de Faraó para libertar. Faraó não queria a libertação de Israel (Êx 5.4-19), e, diante das pragas que vieram, tentou fazer acordos com Moisés, para evitar tal liberdade (Êx 8.8,25,28; 10.11,24). Satanás quer manter o homem oprimido (Lc 13.16) e, para tanto, propõe as mais diferentes ofertas, para que este não seja liberto (At 17.32; 24.25).

4. Estatuto perpétuo (Êx 12.24,25). Consideremos estes dois aspectos: do ponto de vista literal, isto representava um concerto exclusivo entre Deus e a nação israelita, o que, a princípio, os estrangeiros não participavam e só lhes foi permitido posteriormente, desde que obedecessem suas leis (Ex 12.43- 45); portanto, nada disso diz respeito à Igreja (At 15.19-20; Ef 2.14-16).

Do ponto de vista espiritual, isto fala da continuidade da bênção de Deus em nós, não somente nesta vida (Ec 9.8; Fp 1.6; 2 Co 3.18), mas na eternidade (Jo 5.24; 14.3; 1 Ts 4.13-17). A Páscoa era considerada uma festa (Ex 12.14), e, nesse sentido, fala do banquete contínuo do crente (Pv 15.15).

5. Participação da família (Êx 12.3,4,21). Deus quer que todas as famílias participem da bênção propiciada pelo sangue de Jesus (At 16.31-34; Jo 3.16).

6. Ensino para os filhos (Êx 12.24-27). A responsabilidade dos pais era muito grande na transmissão das revelações divinas aos filhos. Assim, também; o Senhor espera que ensinemos aos nossos filhos a Obra de salvação por Ele propiciada (Dt 6.20; 21.18; Pv 22.6; 2 Co 12.14; Ef 6.4; 1 Tm 3.12).

7. Expectativa da terra prometida (Ex 12.25). Para Israel, a Páscoa estava relacionada com a saída do Egito, sua caminhada pelo deserto, e continuidade na nova terra. Para nós, os salvos, o sangue de Jesus garante a entrada na cidade celestial (Fp 3.20; Hb 13.14). Glória a Deus!

II. O CORDEIRO DA PÁSCOA

Simboliza Cristo, “nossa páscoa” (1 Co 5.7). Vejamos algumas semelhanças:

1. Deveria ser escolhido (v.21). Conforme Exodo 12.3-11, seria:

a) um cordeiro (v.3). Figura de Jesus, o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.29), que foi “morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8).

b) Sem mancha. Não podia ter defeitos. Jesus é o “cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pe 1.18,19).

c) De um ano (v.5). (Vide Levítico 9.3;12.6). Sua pouca idade fala da vida terrena de Jesus que, ao morrer, tinha pouco mais de 33 anos de existência.

d) Guardado até o 14° dia (v.6). Deveria ser escolhido no 10° dia e sacrificado no 14°, período durante o qual era observado se possuía algum defeito. Jesus foi observado por todos os homens, e nele não se achou nenhuma falha (Jo 8.46; Mt 27,19, 24;Lc 23.4,47; 2 Co 5.21).

e) Sacrificado à tarde (v.6). Isto é, no crepúsculo da tarde, horário durante o qual os sacerdotes no Antigo Testamento sacrificavam as suas vítimas (Ex 29,39,41). Jesus expirou na cruz às 15:00 horas (hora nona judaica).

2. Devia ser imolado (v.2 1). O cordeiro vivo não resolvia o problema, mas o morto, sim. Sem o derramamento do sangue de Jesus, não poderia haver remissão de pecados da humanidade (Hb 9.22).

3. Deveria ter os seus ossos preservados (Êx 12.46). Isto se cumpriu literalmente, quando Jesus estava morto na cruz (Jo 19.32,36).

4. Devia ser comido (Êx 12.8- 11). O cordeiro era servido: assado no fogo (morte de Jesus na cruz; com ervas amargosas (arrependimento e conversão); com pões asmos (sem o. fermento da maldade, malícia e doutrinas erradas); e, apressadamente (preparados para sair  a qualquer momento da terra para o Céu).

III. A APLICAÇÃO DO SANGUE DO CORDEIRO

O sangue do cordeiro aspergido nas portas das casas dos hebreus, representava o sangue de Jesus aspergido em nossas vidas (Hb 9.13,14).
Vejamos algumas coincidências da aspersão e eficácia do cordeiro:

1. Deveria ser aplicado (v.22). Apenas derramar o sangue da vítima, não satisfazia. Da mesma forma, entender que o sangue de Jesus foi derramado na Cruz, nada resolve, e sim receber a eficácia dele (Rm 5.9; Ef 2.13; Cl 1.20).

2. Deveria ser colocado nas portas (v.22). Deveria ser colocado nos lados (umbreiras) e, em cima (vergas) das portas, menos na parte inferior. Devemos estar com as “portas” do nosso coração aspergidas (Ap 3. 20), e fechadas (1 Rs 22.34), para obtermos a vitória completa (GI 6.17).

3. Não sair para fora (v.22). A Bíblia divide os homens em duas classes: os de dentro e os de fora (Mc 4.11). Os salvos estão “dentro” (Cl 4.5), escondidos “com Cristo em Deus” (Cl 3.3), e não podem sair deste “esconderijo do Altíssimo” (Si 91.1), porque o Diabo está do lado de fora, para tragar os que se arriscarem a sair (Js 20.3-9; Ec 10.8; 1 Pe 5.8).

4. Sinal de proteção (Êx 12.13). Este sinal fala de três coisas:

a) Sinal para Deus (Êx 12. 13,23). Deus, quando olha para a Terra, Ele vê um povo que temo seu sinal (Ex 8.22; 9.4,6,26; 10.22,23; 11.7), que é o sangue de Jesus aspergido em nossas vidas (Ap 1.5).

b) Sinal para o destruidor (v.23). O Diabo tem pavor do sangue de Jesus, porque não pode mais dominar os que creram no Senhor (Cl 1.14,15; 1 Jo 5.18), pois já estão livres da condenação (Rm 8.1). 

Satanás é destruidor (Jo 10.10), e sua procedência aqui neste trecho mostra que ele é o “deus deste século” (2 Co 4.4), e quando o homem rejeita servir a Deus, para o seu próprio bem, o Senhor permite a atuação e o domínio de Satanás em sua vida (Rm 1.24,26,28). Existem apenas dois senhores (Mt 6.24), e dois caminhos (Mt7.13,14), e o ser humano deve escolher qual deve seguir.

c) Sinal para os israelitas (Êx 12.13). O sangue de Jesus transmite para os salvos uma consciência tranqüila da proteção de Deus (1 Tm 1.12), pela presença do Espírito que testifica serem todos filhos de Deus (Rm 8.16; 1 Jo 3.2).

IV. SALVAÇÃO E MORTANDADE À MEIA- NOITE

Temor e alegria, de um lado; porém, choro e morte, do outro. Vejamos:

1. A salvação de Israel. Os israelitas realizaram a Páscoa, conforme a revelação do Senhor (v.28), e ficaram seguros e tranqüilos, enquanto a ira de Deus assolava o Egito, à meia-noite. Assim acontece com a Igreja. Nós já recebemos a aspersão pelo sangue de Jesus em nossas vidas, e apropriamo-nos da sua eficácia. Há cerca de dois mil anos; o relógio de Deus acusa quase meia-noite (1 Jo 2.18). A semelhança das virgens que aguardavam o esposo, o qual chegou à “meia-noite” (Mt 25.6), também aguardamos Jesus a qualquer momento, para o Arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.13- 18) quando sairemos deste mundo para a Pátria Celestial (Fp’3.20):

2. A mortandade dos egípcios. Podemos considerar a mortandade dos egípcios para os nossos dias, em dois aspectos:,

a) Morte espiritual. Sem Jesus, o pecador está “morto em pecados e delitos” (Ef 2.1; 1 Tm 5.6; Lc 15.24). Como são poucos os salvos (Mt7.13,14; 1 Co l.26), conseqüentemente, grande é o número dos que estão mortos espiritualmente, os quais, se não crerem, partirão perdidos para a eternidade.

b) Morte na Grande Tribulação. Com a saída da Igreja da Terra; terá início a Grande Tribulação, período durante o qual a ira de Deus será derramada sobre os homens. Milhões de pessoas que recusaram o amor da verdade, para serem salvas, serão mortas pelas calamidades que virão. A mortandade será tão grande, que o sangue dos homens chegará até “ao freio dos cavalos” (Ap 14.20), ou seja, ao nível de suas bocas.

CONCLUSÃO

Estejamos cobertos com o sangue de Jesus, da cabeça à planta dos pés, sem deixar oportunidade alguma em nossas vidas, e sem sair para fora do “esconderijo do Altíssimo”, a fim de experimentarmos a sua proteção total, e, dentro ‘ de um poucochinho de tempo (P115 10.37), sairemos daqui para os céus, na gloriosa vinda de Jesus.

Por: Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Lições bíblicas CPAD 1995

A SALVAÇÃO NA PÁSCOA JUDAICA

TEXTO ÁUREO "[...] Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com juízos grandes."(Êx 6.6)

VERDADE PRÁTICA = A libertação do povo israelita vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE EXODO 12: 21-24,29

HINOS SUGERIDOS; 41, 330, 400 da Harpa Cristã

INTRODUÇÃO

As grandes festas anuais do povo de Israel eram a Festa dos Pães Ázimos, a Festa das Semanas, dos Tabemáculos (ou Cabanas) e a Festa da Páscoa. A Páscoa era celebrada todos os anos na primavera em 14 de Nisã (originariamente Abib). Nela, os israelitas relembram o modo milagroso pelo qual Deus operou a salvação do seu povo, livrando-os da opressão, do sofrimento, da angústia e da escravidão promovida pelos egípcios. Era a lembrança da fidelidade de Deus à sua promessa, do seu amor libertador e do seu cuidado em favor do seu povo. Neste capítulo, estudaremos os aspectos chaves e simbólicos da páscoa judaica e o novo significado que ela assumiu com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.
A escravidão do povo de Deus no Egito começou depois da morte de José, filho de Jacó, e da morte do Faraó que conhecia os motivos de o povo ter ido morar em Gósen. O novo Faraó, com medo de que os israelitas tomassem-se uma grande nação e tentassem subjugar os egípcios, obrigou-os a fazerem trabalhos forçados. Não se sabe ao certo quando isso começou, mas, ao todo, os israelitas permaneceram 430 anos morando no Egito até que finalmente tiveram permissão para peregrinar para a Terra Prometida.

1. A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA

Diante do clamor do povo escravizado, a reação de Deus foi libertar seu povo e conduzi-lo a uma nova terra, dando independência política, identidade nacional e liberdade para servirem ao verdadeiro e único Deus. Em seu grandioso poder, o Senhor ouviu “o gemido dos filhos de Israel, aos quais os egípcios escravizavam” (Ex 6.5) e lembrou-se da sua aliança com eles. O clamor do povo diante do sofrimento da escravidão chegou até Deus, e Ele enviou livramento a Israel. O Senhor libertou seu povo dos dois sentidos da escravidão: (1) a escravidão humana diante de outro povo e (2) a escravidão espiritual, que faz o ser humano adorar falsos deuses que dominam e cegam o entendimento das pessoas. O povo israelita experimentou a dominação, escravidão e humilhação por um período aproximado de 430 anos (Ex 12.40). 

Ser escravo no Antigo Oriente era ser dependente política, econômica e socialmente de outro povo. A religião que o povo escravo professava era a religião dos seus senhores; portanto, não existia uma dignidade nacional para o povo que era escravo. Em Cristo Jesus, somos igualmente livres da escravidão dc servirmos falsos deuses e de associarmo-nos a ídolos e espíritos opressores das trevas (1 Co 10.20).
O nome hebraico para referir-se à Páscoa é Pesah, que pode significar pular, passar por cima, saltar por cima ou também passar de largo, no sentido de poupar a vida, pois o anjo destruidor passou de largo e poupou os primogênitos das casas onde fora aplicado o sangue nas ombreiras e na verga das portas (Ex 12.7). 

Essa determinação havia sido dada por Deus diante da teimosia de Faraó, para que o povo de Israel não fosse atingido pela última praga lançada sobre o Egito, que era a praga da morte dos primogênitos de homens e animais. Portanto, a mortandade não sobreviria à casa dos israelitas onde um cordeiro fosse sacrificado e seu sangue fosse aspergido nos locais indicados. Assim sendo, tr:ita-se do misericordioso cuidado de Deus em preservar os filhos dc Israel quando um poder destruidor “passou por cima” deles sem causar-lhes dano.

A morte dos primogênitos e a Páscoa representam a vitória do l)eus verdadeiro sobre todas as divindades egípcias, algumas delas representadas nas pragas anteriores, pois tinham semelhanças na sua feição com esses animais e agora estavam religiosamente em desvantagem diante da soberania de Deus. Como os primogênitos de todos os animais morreram, também morreram os primogênitos dos touros (o deus touro egípcio chamava-se Apis), que eram sagrados, e a morte dos primogênitos dos touros também foi um duro golpe no deus Osíris (representado pelo sol), o principal deus do panteão egípcio. O próprio Faraó era venerado como filho de Rá (outro nome para o sol). Assim, a morte do primogênito do próprio Faraó mostraria a impotência dos deuses egípcios, bem como a impotência de Faraó.

Na véspera da última praga sobre os egípcios, Deus mandou o povo preparar um cordeiro para ser sacrificado em cada família (Êx 12.3-6). Quando o Senhor passasse para ferir os primogênitos dos egípcios, o sangue sobre as portas seria o sinal de que lá estaria algum israelita e ninguém morreria naquela casa (Êx 12.13). Essa orientação protegeu os primogênitos israelitas da morte. Foi dessa forma que o sangue do cordeiro pascal tornou-se símbolo de proteção diante da morte. Igualmente, o sangue de Jesus como o verdadeiro cordeiro protege-nos da morte eterna, da maldição originada pelo pecado e da escravidão que o pecado gera na vida humana (1 Jo 1.7).

Além de os primogênitos dos israelitas não morrerem na noite deste sacrificio, a Páscoa também significa o livramento da escravidão do Egito, pois, diante da mortandade, o Faraó ordenou que o povo saísse do Egito, temendo maiores consequências. 

A Páscoa tornou-se o primeiro dia do ano religioso dos hebreus e também o começo de sua vida nacional. Ela ocorreu dia 14 do mês de Abibe (chamado de Nisã na história posterior de Israel), que pode corresponder aos nossos meses de março e abril.

A salvação dos primogênitos de Israel através do sangue de um animal e a morte dos primogênitos do Egito demonstra um paralelo do alcance da expiação de Cristo, que “é ilimitada, mas é limitada àqueles que creem verdadeiramente”; que “Ele é o salvador em potencial de todos os homens, mas efetivamente só dos crentes”.

Além do cordeiro da Páscoa de um ano, os elementos centrais dessa festa também eram o pão sem fermento, chamado de pão asmo - que representava a saída rápida, pois não havia tempo de deixar a massa crescer e as ervas amargas que simbolizavam o tempo de amargura, sofrimento, opressão e dor da escravidão durante os 430 anos. 

Essa refeição deveria ser feita apressadamente, com as pessoas em pé, com vestimentas e sandálias nos pés, prontas para saírem e com um bordão (cajado) na mão, simbolizando a pressa com que saíram do Egito. Essa festa deveria ser celebrada continuamente para relembrar que Deus os havia libertado do Egito.
Mais tarde, a festa passou a ser celebrada de maneira mais alegre e, na primeira noite do Seder (ordem ou liturgia), a família israelita festejava a liberdade que Deus dera ao povo. Trata-se de uma festa parecida com o Natal, com a diferença de que o Seder tem uma longa e antiga liturgia acompanhada por vários rituais simbólicos importantes. No final, entoavam-se cânticos de alegria. 

O cântico final era alegre (Sl 136), uma alegria que expressava gratidão a Deus pelos seus feitos. Assim, somos desafiados a celebrar a nossa salvação em Cristo Jesus todos os dias com muita alegria, com cânticos de louvor e gratidão, tal como os judeus celebravam durante a sua páscoa. Jesus, na última Ceia com os discípulos, repartiu o pão e o vinho, o cálice da nova aliança e, depois de ter realizado a Ceia, cantou um hino (Mt 26.30).

Com a Páscoa, Deus dava início ao cumprimento da promessa da terra e da constituição de uma nação feita aAbrao (Gn 12.3). Israel estava sendo liberto do domínio de um povo e estava sendo levado em direção à sua própria terra para construir sua identidade. 

A Páscoa era o símbolo de que, agora, os israelitas não eram mais escravos condenados a viverem sem uma terra. Dessa vez, eles estavam sendo convocados por Deus a seguirem seu próprio caminho, serem uma verdadeira nação e servirem seu Deus e não mais correrem riscos de adorarem os deuses egípcios. De igual forma, a salvação em Cristo Jesus conduziu o ser humano a uma nova identidade e conduz a Igreja em direção a uma nova terra (a nova Jerusalém) onde veremos a plena glória de Deus. 

O Novo Testamento afirma que, mediante a salvação de Jesus, ganhamos uma nova identidade — a de sermos filhos de Deus (Gl 3.26; 1 Jo 3.2); temos uma nova vida
— pois não somos nós que vivemos, mas é Cristo que vive em nós (Gl 2.20), e, igualmente, ganhamos a liberdade de servirmos ao verdadeiro Deus e anunciarmos as suas virtudes ao mundo (1 Pe 2.9-10).
A Páscoa representa a verdadeira libertação que uma nação pode experimentar: a liberdade espiritual para servir ao Criador (Êx 12.1—13. 16). O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrificio pascal possibilitaram o livramento da escravidão e a peregrinação do povo para a Terra Prometida. Os israelitas passavam oito dias comendo pães sem fermento semelhantes ao matzá, isto é, fatias achatadas e crocantes de pães asmos insossos. Tudo em memória da grande fuga do Egito, tão rápida que não houve tempo para deixar o pão caseiro crescer (Êx 12.39-40).

A Páscoa judaica aponta e encontra seu propósito principal e seu fim (de finalidade e término) na vida, na morte e na ressurreição de Cristo. Assim, tanto a Páscoa quanto a Ceia do Senhor apontam para o mesmo simbolismo: o sacrificio de Cristo. Ambos apontam o antes e o depois do maior evento da história: a obra de Cristo.
2.0 CORDEIRO DA PÁSCOA

O cordeiro oferecido como sacrificio era exigido em quatro circunstâncias no judaísmo: na comemoração da Páscoa (Êx 12.5; Lv 23.12); na oferta pelo pecado (Lv 4.32); em algumas cerimônias de purificação (Lv 12.6; 14.10; Nm 6.12) e nos sacrificios matutinos e vespertinos. No judaísmo, o cordeiro era amplamente usado como sacrificio para perdão de pecados; essa, porém, não era a única finalidade. 

A Bíblia apresenta-nos ainda outras passagens em que o cordeiro era usado para outros fins, como é o caso de Abel (Gn 4.3-5), que tirou das primícias do seu rebanho e ofereceu ao Senhor como expressão de gratidão; Abraão (Gn 22.13), que ofereceu o cordeiro como prova da sua fidelidade e obediência a Deus; e das mulheres que, após o parto, deveriam levar ao sacerdote um cordeiro de um ano para sua purificação (Lv 12.6).

Na travessia dos israelitas no deserto em direção à Canaã, o cordeiro passou a ser oferecido como símbolo de santificação e purificação do povo duas vezes por dia (ao amanhecer e ao anoitecer). Esse sacrificio era feito na entrada do Tabernáculo, onde Deus encontrava-se com o povo (Êx 29.38-46). Era o meio de consagração do povo e do lugar onde eles estavam para que a presença de Deus fosse manifesta no meio deles.

O cordeiro Pascal não tinha muita relação com pecados em si. Sua relação era com o livramento da escravidão, como visto acima. Mas é lógico que, fundamentalmente, o anjo da morte passou de largo na casa dos israelitas porque um sacrifício havia sido feito ali, e sacrifícios sempre apontavam para a expiação pelo pecado.

Portanto, subjetiva- mente, o cordeiro havia sido morto porque havia pecado removido pela morte do animal naquela casa. Esse animal, além de ter apenas um ano, não poderia ter qualquer defeito ou mancha e não poderia ter tido nenhum osso quebrado.

O cordeiro da Páscoa deveria ser morto e comido à noite em família. Se uma família fosse muito pequena, poderia juntar-se à outra e, assim, estabelecer uma comunhão mais ampla. Portanto, essa Páscoa é a que serve de base para a Páscoa cristã. Jesus é o Cordeiro que tira o pecado da humanidade, o nosso meio de consagração a Deus e o meio pelo qual Deus manifestou-se a nós. Por isso, Ele é o verdadeiro Cordeiro, o verdadeiro Salvador, e é nEle que está a verdadeira remissão de pecados (Jo 1.29-30).

Jesus deu um novo significado à Páscoa, demonstrando que agora o simbolismo recai sobre Ele e, secundariamente, sobre a libertação dos israelitas do Egito. No lugar do cordeiro morto, Ele está vivo e presente na celebração, simbolicamente demonstrado pelo pão que representa seu corpo e pelo vinho que representa seu sangue. Esses elementos tem sentido duplo: a morte de Cristo em seu corpo (1 Co 11.24) partido (ferido) e seu sangue que verteu; mas também tem o simbolismo de sua presença atualizada simbolicamente no pão e no vinho em união espiritual com Ele.

Apesar de sua tamanha grandeza, Deus esvaziou-se e, na pessoa do seu filho, assumiu a forma humana; como cordeiro imaculado, foi até à morte e morte de cruz (Fp 2.5-8). O verdadeiro cordeiro ofereceu-se como sacrificio definitivo e perfeito para expiação dos pecados da humanidade (Hb 9.12,26,28; 10.12). Na sua morte, a lei do sacrificio de animais, sacrificio imperfeito, tornou-se obsoleta, pois o verdadeiro cordeiro purificou e purifica a todos oferecendo perdão dos pecados mediante o reconhecimento da natureza pecaminosa e das falhas humanas através da confissão de pecados (Rm 10.9).

Comparativamente a Cristo, havia algumas exigências que deveriam ser observadas quando se oferecia um cordeiro: o cordeiro deveria ser completamente limpo, sem manchas e sem defeitos; exigia-se um cordeiro imaculado, plenamente saudável (Lv 4.32; Nm 6.14); esse simbolismo aponta para Jesus, o verdadeiro e perfeito Cordeiro pascal e o sacrificio completo. Após a morte de Jesus, a Igreja Primitiva entendeu, a partir de uma das ordenanças dEle (1 Co 11.23), que a Ceia do Senhor poderia substituir a Páscoa. Isso não significa que abolimos a comemoração da Páscoa; significa apenas que a morte de Cristo é rememorada também na Ceia do Senhor (1 Co 10.16-17).

O principal sentido da Ceia do Senhor é alimentar e sustentar a comunhão com Cristo, sendo Ele o anfitrião, salientando que a comunhão com o corpo de Cristo dá-se na relação comunitária com os irmãos que compõe esse corpo. Além disso, a Ceia aponta para a tensão escatológica entre o”já agora” e o “ainda não”; portanto, aponta para trás, para aquilo que Cristo fez; para o presente, naquilo que Ele nos torna; e para frente, para aquilo que está por vir, o outro lado da vida para respirar o ar do nosso lar eterno e ver a face daquEle que nos resgatou (1 Co 11.26). 

Dessa forma, na Ceia do Senhor, está poderosamente compactado o evangelho e sua proclamação (“anunciais”) e oferece, “até que Ele venha”, sustento na caminhada entre o “já agora” e o “ainda não”.
A Páscoa cristã é o memorial de como Deus substituiu os sacrificios temporários pelo sacrificio definitivo. O cordeiro do Antigo Testamento era sombra do verdadeiro cordeiro. Ao comemorarmos a Páscoa e a Ceia do Senhor, devemos entender que Cristo é o fundamento e a essência da nossa salvação da condenação da morte. Se não atentarmos para Cristo, nossa Páscoa torna-se vazia do verdadeiro sentido. Somos chamados a celebrar com alegria e gratidão porque o verdadeiro Cordeiro anulou nossa culpa de forma definitiva e purificou-nos, tornando-nos dignos de achegarmo-nos à presença de Deus. Agora, somos santificados, justificados e continuamente perdoados em Cristo (Rm 5.1-2).

Os paralelos bíblicos entre a Páscoa judaica e a morte de Jesus são muitos; dentre eles, destacamos: Cristo foi o Cordeiro pascal; sem a morte do animal sacrificado, não haveria remissão de pecados; o tempo da morte de Jesus coincidiu com a morte dos cordeiros da festa judaica; o sangue, como elemento central, era oferecido no altar da mesma forma que Jesus ofereceu seu sangue no altar celestial: 

As famílias judaicas comiam o cordeiro em volta da mesa na noite da Páscoa; assim, também, participamos da comunhão da Ceia à mesa do Senhor com os elementos que representam o corpo e o sangue do Cordeiro (1 (o 11 .24-25) na comunhão dos santos. Mas há diferenças básicas também: o sacrificio de Cristo foi eterno e perfeito, enquanto o pascoal judaico era efêmero e temporal; e, gloriosamente, Cristo ressuscitou!

Além dessas semelhanças acima expostas, vários outros eventos da Páscoa prefiguram o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo:

a. Deus manifestou sua graça ao tirar os israelitas do Egito por causa da aliança que fizera com Abraão. Assim também, nossa salvação é unia obra da graça de Deus que nos vem através de Cristo (Ef 2.8-10).

b. O sangue aplicado à verga da porta salvaria da morte o filho primogênito das famílias, apontando para a morte de Cristo, o primogênito de Deus, que nos salva da sua ira contra o pecado. Assim, o substituto primogênito de Deus ocupou o nosso lugar (1 Co 5.7).

c. O cordeiro tinha que ser perfeito apontando para a perfeição de Cristo (Jo 8.46; Hb 4.15).

d. Criava-se uma identidade com o cordeiro ao comer de sua carne, pois ele salvou-os da morte fisica. Assim, os salvos são identificados com Cristo na comunhão à mesa da Ceia do Senhor (1 Co 11.24).

e. A fé foi um elemento fundamental porque levou a obediência em sacrificar e comer o cordeiro (Hb 11.28); da mesma forma, a salvação é obtida através da fé em obediência a Cristo (Rm 1.5; 16.26).

f. Devia-se comer o cordeiro com os pães asmos, sem fermento. Na Bíblia, o fermento muitas vezes simboliza o pecado e a corrupção; da mesma forma como devemos manter-nos afastados dessas realidades. Semelhantemente, o povo de Deus deve separar-se do mundo pecaminoso e dedicar-se exclusivamente a Deus.

O grande valor e abrangência da morte de Cristo como Cordeiro de Deus foi celebrado por Pedro nesta magnífica passagem: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós; e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” (1 Pe 1.18-21).

Apontando para o futuro, o apóstolo João profetizou quanto ao nosso estado eterno com Cristo: “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 2 1.23).

3. O SANGUE DO CORDEIRO

A primeira vez que a Bíblia fala de sacrifícios é no livro de Gênesis após a Queda de Adão e Eva (Gn 3.21; 4.1-7). O sacrificio era uma forma de lidar com os problemas criados pelo pecado, que destrói a paz que deveria existir entre Deus e a humanidade. Os sacrificios eram oferecidos para fazer expiação, ou seja, os pecados eram perdoados e, mediante esse perdão, sua relação com Deus era restabelecida. Um dos símbolos principais do sacrificio é o sangue do animal que é sacrificado. O sangue era o principal elemento da expiação, pois representava a vida. Era a vida do animal, “derramada” na morte, que restabelecia a paz entre Deus e as pessoas (Lv 17.11).

O sangue cerimonial no Antigo Testamento representava o oferecimento da vida entregue como rendição e dedicação a Deus. Por isso, oferecer o sangue de um animal é elemento central para o perdão de pecados. Quem pecasse deveria saber que seu destino seria a morte, mas o animal ocuparia o seu lugar, e o sangue desse animal aspergido seria o sinal visível de que seu pecado foi perdoado.

Portanto, o substituto seria um inocente animal, cuja figura aponta para Cristo como o sacrifício inocente pela humanidade. A cruz oferece-nos um sinal do perdão dos pecados quando olhamos para ela e lembramos de que, ali, o sangue de um inocente foi vertido — o que nos serve de alento e libertação da culpa diante dos pecados cometidos. Assim, somos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, e a sua vida ressurreta é a garantia de que somos salvos e que, um dia, também experimentaremos a ressurreição.

O cordeiro imolado e o seu sangue aspergido ocupavam o lugar do ofertante pecador. A lógica era que a vida do animal substituía simbolicamente a vida do pecador. Essa substituição era simbolizada pela apresentação do sangue do animal no altar como resgate pela vida do pecador. Outras vezes, era visto como o pagamento de uma dívida ou a oferta pela culpa (cf. Lv 7.2). 

Assim, o sangue era visto como uma forma de purificar tanto as pessoas quanto os lugares e objetos, possibilitando que o Deus totalmente puro e santo se fizesse presente entre o povo. No Novo Testamento, Jesus Cristo derramou seu sangue para purificar a raça humana e tornar nosso corpo um lugar santo e legítimo de receber a presença de seu Espírito Santo (1 Co 3.16-18).

O sangue de Cristo expiou nossa culpa. No hebraico, “expiação” significa, literalmente, “cobrir”. Inclui a ideia de cobrir o pecado, como também o pecador (Lv 4.20; 5.18). Dessa forma, o pecado é ocultado da vista de Deus, de modo que o pecador já não provoca a ira de Deus. Sendo assim, como bem observa Pearlman, a necessidade da expiação é consequência de dois fatos: a santidade de Deus e o pecado do ser humano. 

A reação da santidade de Deus contra o pecado é conhecida corno sua ira, que pode ser evitada mediante a expiação. Ora, mas foi exatamente isso que Jesus realizou na cruz! Os evangelhos ensinam que o Jesus inocente assumiu para si a culpa de toda a humanidade e sofreu a punição que caberia ao ser humano. Ele padeceu e morreu no lugar do pecador (sofrimento vicário). Por meio dEle, Deus reconcilia-se com a humanidade, e a comunhão do ser humano com Deus é restabelecida.

A vida abundante de Deus (Jo 10.10) nos é comunicada mediante o sangue de Cristo vertido na cruz. O sangue do verdadeiro Cordeiro, Jesus, não nos livra apenas da morte eterna; Ele também nos dá acesso à verdadeira vida. O sangue de Cristo restaurou a aliança com o Pai e, agora, mediante esse sangue, já não somos pecadores distantes, quer gentios, ou europeus, ou asiáticos, ou africanos, ou latino-americanos; já não somos pobres, ou ricos, ou indígenas, ou brancos, ou negros; somos, antes de tudo, chamados Filhos de Deus (1 Jo 3.1).

O livro de Hebreus afirma que Jesus tornou-se o Sacerdote da sublime aliança, pois Ele recebeu um ministério ainda mais excelente que o dos sacerdotes, assim como também a aliança da qual Ele é o mediador; aliança muito superior à antiga, pois é fundamentada em promessas excelsas (Hb 8.6-8).

No Novo Testamento, Jesus, ao celebrar a Páscoa na última ceia, afirmou que seu sangue era o símbolo da nova aliança (Lc 22.14-20). Assim, Ele tomava-se o verdadeiro Cordeiro e, ao mesmo tempo, o verdadeiro Sacerdote. 

Ele foi o sacrificio e o oficiante do sacrificio. Por essa razão, o livro de Hebreus afirma que Ele é o mediador da nova aliança mediante o seu sangue, que redime a humanidade efetiva e definitivamente (Hb 12.24). O sangue da nova aliança deu acesso direto ao trono da graça (Hb 4.16) e também autoridade exclusiva a Jesus corno o único e verdadeiro mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5), fazendo da Igreja um povo de verdadeiros sacerdotes (1 Pe 2.9), com autoridade e legitimidade para partilhar da intimidade com o Deus de toda a criação e anunciar as Boas-Novas dessa aliança.

A Páscoa não celebra um rito judaico — isso ficou para trás como sombra que apontava para Cristo (Cl 2.17) — mas anuncia, sim, um dos maiores eventos da história humana, que é a ressurreição de Cristo, a qual também atesta para o fato de que todos nós seremos ressuscitados com Ele.

Evangelista Isaías Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

Livro A Obra da Salvação Claiton Ivan Pommerening 1º. Edição CPAD 2017