21 de setembro de 2016

A evangelização integral nesta última hora


          A evangelização integral nesta última hora.

Texto Áureo

“ E ele, tendo partido, pregando por todas as  partes, cooperando acom eles o SENHOR e confirmando a palavra com sinais que se seguiram . Amém” (Mc 16.20)

Introdução

Chegamos ao final de mais um trimestre com lições maravilhosas sobre o desafio da evangelização. O tema proposto abrangeu um todo o escopo necessário para entendermos a urgencia da evangelização neste ultimos dias. Ganhar almas para o reino dos céus é um desafio para igreja atual.

1 – O EVANGELHO

O evangelho de Jesus Cristo deve ser anunciado em todos os caminhos em que passamos. Podemos evangelizar com palavras, com folhetos, pelo rádio pela televisão, pelo jornal, enfim por muitas maneiras e por intermédio de muitas ferramentas que existem ao nosso favor. O evangelismo pessoal ou em massa requer habilidades que caracterizam um verdadeiro ganhador de almas.

Já ganhaste uma alma para Cristo? Já experimentaste? Conheceu alguém atualmente na glória, com Cristo, levado por você a Ele? Ou conhece alguém que está no caminho para o céu, porque o informaste do Salvador?

            Se fossem desvendados os teus olhos, neste momento, para contemplar a eternidade, e se  fosse revelado que tem de passar para lá, neste ano não desejaria depositar aos pés do Salvador algum presente como prova de teu amor? Pode haver um presente tão precioso ou aceitável ao Mestre, como uma alma ganha para Ele, durante um ano?

            É grande o desafio que temos a enfrentar, são lutas, provações e muitas desilusões em nossa caminhada. Mas aqueles que esperam no SENHOR renovarão as suas forças.      As palavras dos maiores evangelistas, na história da Igreja de Cristo, revelam como o coração os abrasava com este desejo; vamos citar algumas expressões:

            Knox, assim rogava a Deus: “Dá-me a Escócia ou eu morro!”

            Whitefield, implorava: “Se não queres dar-me almas, retira a minha!”

Assim dizia Mateus Henry: “Sinto maior gozo em ganhar uma alma para Cristo, do que em ganhar montanhas de ouro e prata, para mim mesmo”.

            D. L. Moody: “Usa-me, então, meu Salvador, para qualquer alvo e em qualquer maneira que precisares. Aqui está meu pobre coração, uma vasilha vazia, enche-me com a Tua graça”.

            Henrique Martyn, ajoelhado na praia da Índia, onde fora como missionário, dizia: “Aqui quero ser inteiramente gasto por Deus”.

            João Hunt, missionário entre os antropófagos, nas ilhas de Fidji, no leito de morte, orava: “Senhor, salva Fidji, salva Fidji, salva este povo. Ó Senhor, tem misericórdia de Fidji, salva Fidji!”

            João McKenzie, ajoelhado à beira do Lossie, clamava: “Ó Senhor, manda-me para o lugar mais escuro da terra!”

            Praying Hyde, missionário na Índia, suplicava: “Ó Deus, dá-me almas ou morrerei!”

Diante de uma infidades de grandes citações existentes impor algumas considerações aos verdadeiros ganhadores de almas, que não medem esforços para que alguns possam aceitar e reverenciar o mestre dos mestres.


2- O QUE É GANHAR ALMAS.


              I- Não é profissão. Deus nunca quer que a obra mais elevada e santa, a de ganhar almas, se torne uma profissão. Mas o amor à fama, o amor ao salário e o amor de governar leva muitos a vestirem-se com trajes eclesiásticos e aceitar títulos de oficio. Na história da Igreja, as grandes colheitas de almas foram sempre fruto daqueles que trabalhavam sem idéia de profissionalismo, anunciando a Palavra por toda parte, à sua própria custa.

II- Não é dar esmola. Muitos crentes estão deixando mais e mais de anunciar a mensagem que dá vida à alma, para dar comida e roupa aos pobres. Que a Igreja, deve compadecer-se dos pobres e dar, é certo, mas não será o número total de Pães distribuídos que o Juiz quer ver no último dia, mas o número de almas salvas. Pães e roupas não podem estancar a sede da alma: “Todo o que bebe desta água, tornará a ter sede.”

          III-Ganhar almas é pescar. “Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens” (Mat 4.19). “Eu vos farei!” Então, os pescadores de homens são feitos por Cristo. Todos os dons necessários, Ele lhes concede.

“Serás pescador de homens” (Luc 5.10). A palavra nesta passagem no original traduzida literalmente, quer dizer: “Apanhar homens vivos”, dando a idéia de salvá-los completamente do perigo mais horrível. Encontra-se esta palavra só uma vez nas Escrituras, em 2 Tim 2.26: “E se livrem do  Diabo tendo sido feitos cativos, (apanhados vivos) por ele”. Satanás também apanha almas vivas! Que hoste grande de cativos ele está conduzindo para o inferno! Alguns dos nossos queridos estão na procissão, e nós permanecemos inativos?

             IV- Ganhar almas não é reformá-las. Não se deve pensar nem dar a entender ao perdido, que a salvação é adquirida pelo fato de alguém levantar a mão, deixar de fumar, recusar a bebida forte, e abandonar todos os vícios. Se o homem pudesse salvar-se, só exercer o poder da vontade, Deus não teria dado Seu Filho para sofrer a agonia do Getsêmani e do Calvário.

V-Ganhar almas não é magnetizá-las. A alma atraída pela personalidade ou eloqüência do pregador permanece fiel só durante o tempo que o pregador fica com  palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se baseie na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”. (1 Cor 2. 4-5). O grande número de almas que Paulo ganhou para Cristo, não foi atraída pela personalidade de apóstolo. “Sua presença corporal é fraca” (2 Cor 10.10). Diz-se Jônatas Edwards, poderoso em ganhar almas, em tempos passados, escrevia seus sermões por extenso; lia-os em voz monótona, página por página, segurando o manuscrito perto dos olhos porque era míope; e, apesar disto, algumas vezes os do auditório agarravam-se aos bancos com medo de cair no inferno dos pecadores, tão vividamente representadas em palavras de fogo, e de tal forma, que multidões foram conquistadas para Deus. Era a Palavra do Senhor que os atraía e não a personalidade do homem.


VI- Ganhar almas é ceifar. “Rogai pois, ao Senhor da seara, que envie trabalhadores para a Sua seara” (Mat 9.38). Não é o dinheiro, nem os crentes, que envia o ceifeiro para suportar o calor, e o labor do dia inteiro, mas, sim, “o Senhor da seara”. “Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão. Embora alguém saia chorando, levando a semente para semear, tornará a vir com júbilo, trazendo os seus feixes” (Sl 126. 5-6)

 
VII-Ganhar almas é procurar o que se havia perdido. Toda a circunvizinhança comove-se ao saber que uma criancinha se perdeu no deserto. O pastor fiel não pode descansar, nem provar comida, a noite inteira, se não achar a ovelha perdida. Leia o capítulo 15 de Lucas e peça a Cristo que lhe dê a Sua compaixão abrasadora para com um mundo pródigo, e lhe ensine a procurar almas perdidas.

     VII- Ganhar almas é privilégio supremo do crente. Nem a Gabriel, nem a Miguel, nem a qualquer dos anjos dos céus, é permitido participar desse gozo de ganhar almas. Um dos mais conhecidos missionários na Turquia foi convidado a assumir o cargo de cônsul, numa das maiores cidades daquele país, com salário de príncipe, mas não aceitou. “Por que não aceitou? Perguntou-lhe um moço, admirado. “Porque recuso rebaixar-me a ser embaixador ou cônsul”, foi a resposta calma.“Os que forem sábios, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas para todo o sempre” (Dan 12.3).

        IX-Ganhar almas é levá-las a ter contato com Cristo.  Diz-se Jônatas Goforth: “O alvo da sua vida foi levar homens a Cristo até à hora da sua morte”.Quantas vezes estamos satisfeitos quando o perdido vem somente para orar. O nosso dever é levá-lo a ter contato com o Cristo vivo.Não devemos abandoná-lo depois de salvo, mas levá-lo a continuar perante o Senhor. Saulo, salvo no caminho de Damasco, estava pronto a começar a trabalhar para Cristo. Mas foi enviado à cidade, esperando, nas trevas, durante três dias, que Cristo fosse formado nele (compare Gal 4.19).

       Conclusão

       O desafio é imenso os obreiros são poucos a seara é grande e nós presisamos nos despertar para esta última hora da igreja de Cristo.  O mundo esta caminhando por seus dias mais escuros, onde a humanidade tem pouco ou quase nada do SENHOR em seus corações. A igreja, eleita e imaculada, deve brilhar ainda mais e alcançar as multidões de pecadores que se apresam para perdição.

 

     Evang. Juarez Alves Pereira.

 

 

 

 

13 de setembro de 2016

A Evangelização Real na Era Digital



A Evangelização Real na Era Digital

Texto Áureo = "Então, o Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler o que correndo passa." (He 2.2)

Verdade Pratica = Na era da informação instantânea, somente o Evangelho Eterno para dar esperança a humanidade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Tito 2.11-15

Introdução

Peço licença, para transcrever o estudo realizado por meu filho, Gunar Berg, quanto à evangelização na era da informação.

O mundo está mudando rapidamente. Você já pensou nisso? Tenho certeza de que sim. Mas até aí, nada de novo, pois tudo vem mudando desde que o mundo é mundo. As culturas são vivas e estão em constante transformação. As sociedades acomodam-se, invariavelmente, a novas demandas e condições. Logo, a mudança, em si mesma, nem de longe é uma surpresa. Por conseguinte, o sobressalto dos nossos dias não é a transformação, mas a velocidade com que ela acontece.

Um dia, meu pai trouxe para casa um Long Play... (Permita-me um longo parêntese: isso aconteceu há vinte anos. Desde então, presenciei a morte do LF o nascimento e a extinção do CD, a passagem meteórica dos pen drives e a apoteose das músicas arquivadas na nuvem. Em duas décadas, três tecnologias surgiram e três foram sepultadas. Quanto ao velho LP logrou reinar absoluto por sessenta anos as coisas estão de fato mudando rapidamente.)

Voltando ao caso... Um dia, meu pai trouxe para casa um LP com mensagens radiofônicas gravadas pelo grande comunicador cristão Roberto Rabello. Enquanto o disco girava na vitrola, eu imaginava o exato momento em que aquelas pregações eram irradiadas ao vivo pelas transmissoras — o ruído da agulha contra o vinil era igual aos das ondas de amplitude modulada que chegavam aos aparelhos antigos. O toca-discos era uma máquina do tempo.

A primeira mensagem do Lado A daquela bolacha contava algumas curiosidades. Com voz calibrada e leitura magistral, o pastor Rabelo relembrou o tempo quando os primeiros trens começaram a circular pelos Estados Unidos, cruzando a grande nação de costa a costa. Diante da novidade, os jornalistas descreviam o assombro que era viajar a incríveis 60 quilômetros por hora. Nessa época, o responsável pelo escritório de patentes norte-americano concluiu que seu trabalho chegara ao fim, pois nada mais havia para ser inventado pelo homem.
E com deliciosos outros exemplos, aquela pregação cravou em mim a certeza inabalável de que a Bíblia resistirá não só às mudanças, mas à velocidade com que elas acontecerem: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). — Gunar Berg

1. Velocidade e Angústia

O tempo presente tem sido chamado de a era da informação. Apesar de adequado, a nomenclatura exige alguma reflexão. Se esta é a era da informação, seria correto supor que já houve uma era de desinformações?

Alguém pode pensar que sim, mas não existiu. Nem mesmo durante a Idade Média, que entrou para o imaginário histórico como o período das trevas, houve desinteligência. A grande diferença entre o presente e os tempos idos é a velocidade com que as informações se multiplicam e se propagam. São duas, portanto, as principais características da era da informação: o conhecimento e a celeridade (esta é o nosso grande desafio).

O principal fruto da rapidez das informações não é a facilidade, mas a angústia. É tão forte o incômodo pelo imediatismo que, no Japão, é comum os adolescentes serem humilhados virtualmente pelos amigos, caso demorem em responder-lhes às mensagens instantâneas via celular pois, se são instantâneas, por que a demora? Alguns simplesmente não resistem à pressão e suicidam-se.

A sanha pela presteza é tal que aquilo que, há bem poucos anos, era considerado o suprassumo das comunicações tornou-se praticamente inútil. O e-mail, como sabemos, nasceu com os dias contados. Sem cerimônia, ele desbancou as tradicionais cartas para, em seguida, ser pisoteado pelo Messenger e sepultado pelo WhatsApp; a pá de cal não demora a chegar. Estes e muitos outros recursos, embora úteis, têm-se mostrado nocivos. Apesar de não serem intrinsecamente maus, não deixam de causar-nos algum mal.

A angústia pela velocidade está roubando-nos a noção de tempo. Antes dos transportes mecânicos ultravelozes, preocupávamo-nos não com o tempo, mas com as distâncias. Os viajantes que seguiam a pé, ou nos lombos de alguma montaria, planejavam suas viagens em quilômetros pois não tinham como tornar mais rápidos os passos dos animais ou os seus próprios passos. Mas tão logo os trens, os automóveis modernos e os aviões supersônicos começaram a dominar essas e outras rotas, as viagens passaram a ser planejadas não pela extensão, mas pelo tempo — a pergunta mudou de “Qual a distância?” para “Quanto tempo até chegar?”.

1. Ser sem estar presente. Depois de relativizar os quilômetros de uma jornada a velocidade chegou finalmente à informação e à comunicação. A partir do tráfego de dados na rede mundial de computadores, até mesmo o sentido de estar foi mudado.
Isso fica bastante fácil de compreender em nosso idioma, pois a língua portuguesa distingue o ser e o estar. As videoconferências permitem-nos ser presentes sem estar presentes. Converso quase todos os dias com meu filho, eu no Rio de Janeiro, e eles em Paulinia, separados por 600 quilômetros. Ele me vê e também a casa em que morou. As pessoas e os lugares mais distantes estão próximos de nós tanto quanto os dedos estão perto da tela de um smartphone. E como foi que isso mudou a noção de tempo a quem habituamos?

Durante tempos do Brasil colônia, uma viagem entre Portugal e o Novo Mundo durava, em média, 60 dias, dependendo dos ventos, das calmarias, das tempestades e do que mais pudesse haver. Mesmo durante a crise que ameaçou o reinado de Dom João VI (ele no Brasil e o problema lá na corte em Lisboa), as cartas iam e vinham em ritmo perturbadOrame1te lento para a urgência de um império como o português. Há alguns anos, o tempo de correio não era contado em meses, mas em dias — ainda assim, um exercício de paciência.

E então, de repente, você escreve um recadinho para alguém no outro lado do globo, e essa pessoa responde com um áudio, e tudo isso não demora mais que o tempo necessário de escrever ou falar.

É claro que isso é extremamente vantajoso, porque ninguém gosta de esperar, e há coisas que não podem mesmo aguardar. O problema não é, entretanto, não precisar esperar, mas não aceitar que se deva esperar por algo. E por isso que a sociedade comprometeu a sua noção de tempo e de importância. Se os minutos escoam é porque não sabemos como administrar as informações inesgotáveis que passam por nós. Se eles se arrastam é porque não sabemos o que fazer sem os milhares de informações que deveriam voar diante de nós.

2. Uma geração de ineditismos. Não se deixe enganar pelas palavras. Dizer que nossa geração comete ineditismos é muito diferente de afirmar que somos uma geração de pioneiros. Pioneirismo tem a ver com nobreza e altruísmo; ineditismo, porém, significa apenas fazer alguma coisa, qualquer coisa, pela primeira vez (e isso não é necessariamente bom). Somos, por exemplo, a primeira geração da história a dormir menos do que o necessário, e também a primeira a comer mais do que o aceitável. A situação piora quando se descobre que somos os primeiros a destruir, por prazer, as coisas das quais precisamos para sobreviver. Esse comportamento tem nome: hipoteca do tempo futuro, e é provocado pela angústia causada pela velocidade da informação e a sua abundância.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman apontou a imprevidência de se hipotecar o futuro quando, ao abusarmos do presente, vivemos com excessos, acima dos limites ou das necessidades. Estamos fazendo saques antecipados do futuro, e não há como saber se conseguiremos pagar essa promissória.
Mas como esse é o comportamento padrão das sociedades de consumo, ele é considerado normal. Mas não é! Aliás, aprendamos algo: normal não é sinônimo de comum. Normal é aquilo que segue a norma, a regra. Comum é apenas algo recorrente. Logo, é cada vez mais comum as pessoas sacarem antecipadamente o tempo que ainda não viveram, hipotecando o futuro. Embora comum, esse comportamento é anormal, pois não foi assim que Deus planejou a nossa vida.

II. Pecadores Digitais

Até os anos 2000, ouvíamos dizer que, ao se desligar o televisor, uma janela se fechava ao pecado. Agora, carregamos pequeninas basculantes que fazemos questão de manter abertas. Nossos celulares são, potencialmente frestas pessoais e intransferíveis às tentações e concupiscências. Isso mostra que, na era da informação, há uma superexposição ao pecado. O Senhor Jesus alertou-nOS que, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos viria a esfriar-se.

1. Intimo e sigiloso. As situações que favorecem o pecado são sempre íntimas e sigilosas. Foi assim que Davi perpetrou um adultério e um assassinato (2 Sm 11). O caso de Amnom e Tamar também é bastante emblemático (2 Sm 13). Alguém perguntará: Se ambos os exemplos são tão antigos, em que a era da informação é mais perigosa? Seu risco está em multiplicar as possibilidades dessa mistura letal:
intimidade e sigilo.

Primeiro, cornos computadores pessoais e, agora, de forma irresistível, com os tablets e celulares. Isso formou urna geração de usuários que vive seus dias na intimidade e no sigilo dos aparelhos eletrônicos. Escondidas atrás das telas, as pessoas sentem-se mais seguras em transgredir as leis e os mandamentos do Deus que tudo vê.

2. O pecado viral. Os mesmos recursos que, rapidamente, proporcionam conhecimentos e saberes também possibilitam pecados e apostasias em tempo real. Se uma informação, ou evento, populariza-se na internet, os especialistas dizem que é um viral, algo que se espalha tão rápido como um vírus, ou como o pecado. Comportamentos pecaminosos disseminados nas redes sociais são velozmente imitados (Gn 18.20).

3. O conhecimeflt0 de enciclopédia. Alguns alunos acostumaram se tanto aos recursos de pesquisa pela internet que não se dão ao trabalho de produzir suas próprias pesquisas e chegar às suas próprias conclusões. Eles apenas reproduzem. Esse é o paradoxo da era do conhecimento: as informações estão disponíveis em tal quantidade que poucos sabem o que fazer com elas. Logo, o conhecimento moderno não está contribuindo para o avanço moral e ético da sociedade. A única forma de desenvolvimento que temos experimentado é de quantidade, não de qualidade. Nunca o homem conheceu tanto sobre si e tão pouco sobre Deus! (Os 4.1). Por esse motivo, temos de concentrar-nos a falar de Cristo a uma geração que só conhece a rapidez e o instantâneo.
III. Como Pregar o Evangelho à Geração Fast

“Quando procuro um vídeo, não perco tempo com nada que tenha mais que três minutos!”“Quem não consegue se expressar com sete palavras não merece dizer setenta.”“Uma ideia em cento e quarenta caracteres.”

Andando pelos corredores dos shoppings, caminhando pelos calçadões do comércio, nas conversas com os alunos nos seminários ou com os irmãos da igreja, aqui e ali, sempre escuto frases assim. Sentenças que têm a ver com pressa, velocidade, expectativas imediatas. Elas são o retrato de como.está o mundo: com cada vez menos tempo e cada vez mais coisas a fazer.

1. Falar de Cristo em poucos minutos. Por outro lado, ainda não aprendemos a falar de Cristo em alguns poucos minutos. Uma mensagem bem elaborada requer, no mínimo, cinquenta minutos. Mas quem, ao navegar pela internet, pararia para ouvir, durante meia hora, um sermão acerca da necessidade de uma vida de renúncias? A coisa está difícil até para os anunciantes de bens de consumo que, para conseguir a atenção da audiência da internet, sempre livre e independente, obrigam os navegantes a assistir, ao menos, cinco segundos de seus comerciais nos sites de vídeos e notícias — se essas propagandas não fossem obrigatórias, ninguém as veria! Se quem vende sonhos de consumo enfrenta tal dificuldade, como agirá aquele que ensina ser Jesus Cristo a única esperança para esta geração? O que devemos fazer?

2.0 que dá certo na era da informação? Em plena era da informação, eu cultivo um antigo hábito: ouvir rádio. E foi escutando noticiários que ouvi um professor de tecnologia, cujo nome não consigo lembrar-me, dizer algo interessante. Segundo ele, o rádio, apesar de antigo, possui as características indispensáveis que fazem as coisas dar certo na era da informação: tem qualidade e é gratuito. Se você tem o costume de escutar rádio, sabe do que o professor estava falando. Se algo é bom e de graça, provavelmente dará certo na era da informação instantânea. Diante dessa reflexão, disse a mim mesmo: “Tá fácil para nós! O evangelho é bom e gratuito!”. Como diz a geração da internet: “É isso, só que não”.

A mensagem que pregamos é antiga como o mundo (Gn 3.15) porque é absolutamente tudo de que o mundo precisa. Só compete a nós fazermos a sua anunciação da forma correta. O problema, portanto, não é o que pregamos, mas como o pregamos e se, de fato, o estamos pregando.

Essa equação não está fechando, e a culpa é nossa. Infelizmente, não há gratuidade nem qualidade em boa parte dos púlpitos e na maioria dos programas evangélicos radiofônicos e televisivos. Urna rápida zapeada pelos canais de televisão mostra dezenas de apóstolos, um sem número de bispos e pastores pedindo dinheiro, solicitando ofertas, requerendo doações, clamando por ceifeiros, colaboradores e sócios que possam dar, dar e dar.
Numa emissora de rádio, descobri um pastor agastando-se numa pregação que não tinha fim. Durante quarenta minutos, aquele homem, nem por uma vez, disse algo sobre a santidade, ou o pecado, ou a necessidade de arrependimento. Ele já estava falando quando liguei o rádio do carro, e deve ter continuado, por algum tempo ainda, depois que estacionei o veículo.

Ele falou somente nas bênçãos que viriam na forma de bônus para quem desse as maiores ofertas. Ao ouvi-lo, logo conclui: estamos pregando coisas ruins e cobrando muito caro por isso. Esse tipo de evangelho não tem como dar certo na era da informação. Aliás, foram pregações mercenárias e dinheirosas como essa que provocaram a reação de Martinho Lutero no século XVI.

Para pregar o evangelho na era da informação, carecemos apenas de uma coisa: pregar o evangelho! E tão simples. Alguns de nós é que insistem em fazer o errado!

Com o surgimento das redes sociais, muitos cristãos diziam que os seus perfis tinham a finalidade de falar de Jesus. Mas não foi exatamente isso o que aconteceu. A maioria dos crentes está transferindo para o virtual os seus maus hábitos reais. Não há evangelização, não há pregação e não há testemunhos. Só vejo brigas, contendas e testemunhos duvidosos. Logo, a estratégia para ser um arauto virtual não é montar um perfil de pregador, de cantor ou de qualquer outro tipo de celebridade gospel. O que importa é ser crente real com um perfil santo e também real e imediato.

Não basta postar vídeos com meditações e apelos evangelísticos, ou publicar frases de esperança. Nada disso terá qualquer efeito se a sua vida (dentro e fora das redes) for contrária à mensagem que você está tentando anunciar.

3. Somos evangelistas analógicos e ultrapassados? Na era da informação, é urgente responder a uma série de perguntas, visando dinamizar a prática evangelística da igreja. A pregação precisa de um novo formato? O evangelismo que praticamos é antiquado?

a) A Palavra é permanente. Mateus 24.35 afirma que a Palavra de Deus há de durar para sempre, ao passo que o mundo é efêmero e mui passageiro. Portanto, o evangelho de Cristo não muda. Logo, o seu conteúdo não precisa ser alterado para adequar-se à era da informação. O que era desde o princípio continua válído até hoje.

A mensagem da salvação possui características exclusivas que a fazem comunicável a qualquer grupo em qualquer situação. Ela é imutável e resiste às mais repentinas transformações sociais. E ilimitadamente transformadora, porque tem o poder de mudar a vida do mais vil pecador (Rm 1.16).

b) Não confunda recursos com modelo. Muitos evangelistas argumentam que o modelo bíblico de evangelização deve ser revisto, pois não está à altura dos desafios da era da informação. Isso não é verdade.
Nosso modelo evangelizador é divinamente perfeito. Foi exemplificado pelo Senhor Jesus em seu ministério terreno. O que deve ser revisto são os recursos (2 Tm 4.2,3).

c) Um modelo de 2.000 anos. Nosso modelo de evangelismo é fundamentado no amor às almas. O evangelismo, segundo Cristo, atrai o pecador pelo amor. Não que a graça seja irresistível, mas não há como negar que ela é atrativa.

O modelo de Cristo para ganhar almas é, portanto, orientado pelo amor ágape que só o Espírito Santo nos pode comunicar. Isso significa que não evangelizamos por causa de alguma preferência, mas apesar de qualquer coisa. Cristo vê no pecador não o que ele é, mas quem ele pode vir a ser.

IV. Ganhando Almas na Era da Informação

Está se popularizando, em muitas igrejas, um novo tipo de trabalho: o Departamento de Mídias. Em linhas gerais, os cooperadores dessa nova seara operam os recursos de áudio e vídeo durante os cultos e, nos casos mais expoentes, transmitem-nos ao vivo pela internet. Faz parte dessa tarefa a criação e a manutenção de sites com recursos visuais impressionantes. Mas isso é tudo?

1. Uma rede para pescadores de homens. A atenção de quem navega pela internet é seletiva. Na rede mundial de computadores, ninguém perde tempo com o que não deseja. Então, por mais que as igrejas marquem presença nesse território, devemos levar em conta que, mais importante que um templo (ou um site), é um missionário que pode ir até onde a igreja não pode chegar.

Cristo comissionou pescadores de homens. Isso tem a ver com o caráter razoavelmente solitário da tarefa evangelística, cujos resultados são contados alma a alma. É assim que a internet funciona! Uma simples frase evangelística que, embora despretensiosa, é compartilhada centenas de vezes pelos membros da congregação, atingirá muitos mais pecadores do que o lindo site da igreja procurado apenas pelos que já são crentes.

2. Você é o que você publica. Jesus disse em Mateus 12.34 que “a boca fala do que está cheio o coração” (ARA). Logo, as nossas postagens cotidianas, nas redes sociais, têm muito mais poder testemunhal do que as frases intencionalmente evangelísticas, pois somos o que publicamos.

Admiradas, as pessoas indagavam acerca da fonte da autoridade das pregações de Jesus. Todas elas, porém, sabiam que Ele ensinava com autoridade, e não como os escribas e fariseus (Mc 1.22). O Mestre, antes de tudo, vivia estritamente por suas palavras. O seu discurso intencional concordava com as suas ações. Conclui-se que uma mensagem evangelística, perdida entre centenas de postagens inconvenientes, pecaminosas e mundanas, será tão destrutiva quanto o pior dos vírus de computador.

3. Crie uma FanPage. A FanPage é diferente do perfil. Este serve para pessoas; aquela, para empresas e instituições. A sua igreja, seu grupo de jovens e adolescentes, ou qualquer outro departamento de sua congregação, pode ter uma FanPage. E absolutamente gratuito e muito fácil de usar. Na verdade, o FaceBook encarrega-se de orientar o usuário nas postagens.

Além disso, os relatório da FanPage (todos fornecidos automaticamente pelo FaceBook) permitem-lhe monitorar a repercussão das postagens.

4. Desenvolva um canal no YouTube. Como já dissemos, na internet apenas as iniciativas excelentes e gratuitas sobrevivem. Por isso mesmo, é possível usar alguns serviços excepcionais, na rede, sem gastar nenhum centavo. Haja vista os canais do YouTube. Um canal é como um álbum de figurinhas, só que elas têm movimento e som.

Você pode postar vídeos curtos (para fins evangelísticos, eles não podem ter duração superior a um minuto) ou palestras e pregações. Mas é importante que você tenha algo em mente: ninguém acessa ou assina um canal para fazer de você uma celebridade digital. As pessoas só assistem àquilo que as interessa; na internet, ninguém é obrigado a nada. Então, seja criativo e relevante; busque a sabedoria do alto.

5. Crie uma lista de transmissão no WhatsApp. O Brasil tem mais aparelhos telefônicos ativos que pessoas E se você possui um celular, provavelmente tem WhatsApp. Esse aplicativo caiu no gosto dos brasileiros de tal maneira, que o nosso país é a maior audiência dele fora dos Estados Unidos. Mas com o WhatsApp veio a perturbadora mania dos grupos. E grupo dc mocidade, das irmãs, da classe da Escola Dominical, da faculdade e do pessoal do trabalho. E o que era para ser um fórum para assuntos ligados aos interesses comuns tomou-se um meio de divulgação de piadas, vídeos bizarros e imagens satíricas. Para fins evangelísticos, portanto, um grupo é uma coisa inútil. O que fazer?

A solução pode estar nas listas de transmissão. Com essa funcionalidade, você pode enviar uma mensagem redigida em linguagem direta não para um, mas para todos os seus contatos. Ela será visualizada pelos destinatários como sendo um recado pessoal seu para eles, para cada um pessoalmente, mas sem o trabalho de redigir um texto para cada contato. Então, faça uma lista de transmissão apenas para os seus contatos não crentes. Veja como é fácil: Abra o aplicativo WhatsApp; vá até Conversas> Menu> Nova Transmissão; escolha os nomes dos destinatários; e, finalmente, confirme e toque em Criar.

Conclusão

O mundo jamais viveu um avanço científico, industrial ou acadêmico como este. Sem exageros, o conhecimento produzido no último século é superior a tudo o que foi escrito, descoberto ou criado anteriormente. Mas isso não deve surpreender-nos. Primeiro, por que está previsto nas Escrituras (Dn 12.4) e, segundo, por que o saber não é essencialmente danoso (Pv 2.6). Ao contrário, beneficiamo-nos tanto da medicina quanto da tecnologia atual dc telecomunicações. Entretanto, a era da informação, apesar das óbvias vantagens que oferece, é um desafio evangelistico, pois não houve outro momento com mais distrações ou concorrências à pregação do evangelho do que o atual. A maioria de nós não é nascida no ambiente virtual da era da informação. Ao contrário, tivemos de aprender a viver neste período. Mas as necessidades dos seres humanos continuam as mesmas: o homem ainda precisa de Deus e da salvação em Jesus Cristo. Você pode não entender todos os recursos da modernidade, mas conhece o modelo ideal para ganhar almas. Então, fale de Cristo.


Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém Setor I - Em Dourados – MS

Livro O Desafio da Evangelização = Claudionor de Andrade = 1º. Edição

7 de setembro de 2016

A Evangelização das Pessoas com Deficiência


A Evangelização das Pessoas com Deficiência

 

Texto Áureo = "[...] Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos." (Lc 14.21)

 

Verdade Prática = A evangelização que não inclui as pessoas com deficiência é incompleta e não expressa plenamente o amor de Deus.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = João 5.1-9

 

INTRODUÇÃO

 

Para Jesus, os deficientes eram oportunidades através dos quais o poder de Deus podia ser revelado. A Bíblia diz em João 9:2-3 “Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.”
As nossas limitações são temporárias. A Bíblia diz em 1 Coríntios 15:53 “Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.”  Os deficientes serão curados. A Bíblia diz em Isaías 35:5-6 “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.”

 

Mc 16:15-16 - A vontade de Deus é que todos sejam salvos

At 10:1-22 - Um Deus que quebra barreiras e preconceitos

At 10:23- 48 - Deus não faz acepção de pessoas, mas faz o bem

2Sm 9:1-13 - O amor faz superar preconceitos e gera bondade

João 9:1-12 - Para que se manifestem nele as obras de Deus

1:13 a 2:13 - Deus é Senhor nas alegrias e nas tragédias.

 

Quando o Amor é Maior Que o Preconceito

 

Em 2 Sm 9:1-13 há uma bela história de amor que vence o preconceito e as tradições e costumes que discriminam e excluem as pessoas. No texto, o rei Davi fica sabendo através de Ziba, um ex-servo do falecido Rei Saul, que um filho de Jônatas e neto de Saul estava vivo e vivia de favor na casa do rico proprietário Maquir. Mefibosete, devido a um acidente em sua infância (2 Sm 4:4) tornara-se um portador de deficiência física em ambos os pés. Davi se lembra da promessa de bondade para com os descendentes de seu grande amigo Jônatas (1Sm 20:14-17) e manda buscar Mefibosete. Mefibosete compara-se a um cão morto, indigno da atenção e bondade de Davi, mas o rei Davi o coloca sob sua proteção e como parte de sua família, pois comia sempre à mesa do rei como um filho (2 Sm 9:11 e 13).

 

Davi restitui a Mefibosete todas as propriedades que haviam pertencido a Saul e ordena a Ziba que passe a trabalhar para Mefibosete, administrando as propriedades e os que trabalhavam nelas para que não falte o sustento e o conforto a Mefibosete e à sua família.

 

Numa época e num lugar em que a sociedade e a religião (inclusive o judaísmo) afirmavam que a pessoa portadora de deficiência era alguém que tinha uma maldição colocada por Deus, e que precisava viver isolada para não contaminar o povo de Deus, Davi prefere, por amor, ouvir a voz do seu coração para exercitar a bondade e a justiça. Podia acomodar-se aos valores e preconceitos de seu tempo e não fazer nada.

 

A deficiência não é da vontade de Deus, não é um castigo de Deus e não tem um sentido em si mesma. Se a deficiência tem algum sentido, é a sua superação. E a mais fantástica superação é quando as pessoas portadoras de deficiência são incluídas na vida social, tratadas com respeito e, como pessoas, sentindo-se vivas e companheiras e achando que isso é bom e vale a pena. Com e apesar das deficiências.

O amor sempre rompe barreiras. O amor sempre faz diferença.

 

Pra início de conversa.

 

a) Há poder em nossas palavras, tanto para abençoar e apaziguar quando para ferir e criar ódio. Qual deve ser a sensação de uma pessoa portadora de deficiência ser chamada de louca, aleijada, defeituosa ou deficiente?

 

b) Na prática do dia a dia, como nossa Igreja tem tratado as pessoas portadoras de deficiência? Há pessoas portadoras de deficiência em nossa igreja local? Elas se sentem acolhidas, entrosadas e participantes ativas da igreja?

 

PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA SÃO PESSOAS

 

Os portadores de deficiência física, motora, mental ou múltipla (portadoras de duas ou mais deficiências) têm sido um grupo de pessoas que a sociedade teimava em não enxergar, mantendo-as devidamente “guardadas” (protegidas e escondidas) em casa. Hoje, graças a Deus, essa história está mudando: os portadores de deficiência estão se organizando para exigir cidadania, que começa pelos direitos constitucionais básicos de qualquer brasileiro: educação, saúde, trabalho, lazer e o direito à mobilidade, ou seja, que ruas, calçadas, elevadores, banheiros, transporte coletivo, táxi, escolas, acesso a prédios, etc, sejam adequados a eles. Muito particularmente aos portadores de deficiência física.

 

Há também uma sensibilização de organizações e da sociedade em favor dos portadores de deficiência, afinal com o número significante de portadores de deficiência em nosso país, naturalmente somos família, parentes e amigos de algum deles.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima a existência do seguinte quadro no Brasil: 5% da população são portadores de deficiência mental; 2% são portadores de deficiência física; 2% são portadores de deficiência auditiva; 1% são portadores de deficiência visual; e 1% são portadores de deficiência múltipla.

 

Além do mais, o país está descobrindo que as pessoas portadoras de deficiência são consumidoras como as demais e o mercado está atrás desse grupo especial de consumidores, adequando-se às necessidades especiais que eles têm. O país está descobrindo que sai mais barato aos “cofres públicos” inserir com leis e incentivos fiscais os portadores de deficiência do que sustentá-los com pensões da previdência social.

 

Ou seja, estamos descobrindo que os portadores de deficiência, antes de serem deficientes, são pessoas, com sonhos e medos, qualidades e pecados, e igualmente vocacionadas para a vida em sociedade e para a salvação em Jesus Cristo.

 

DEUS QUER QUE TODOS SEJAM SALVOS

 

O Evangelho não conhece fronteiras. Saiu da Palestina e do judaísmo para alcançar os samaritanos e os gentios, incluindo sucessiva e crescentemente mulheres, crianças, os escravos, os pobres, negros, índios e os povos dos "confins da terra".

 

Mas um grupo em especial não recebeu e nem tem recebido a atenção necessária por parte da Igreja: os portadores de deficiência. Ainda são poucas as igrejas que têm se despertado para acolher, evangelizar, ensinar e tornar as pessoas portadoras de deficiência participantes ativas dos cultos, das classes da Escola Dominical, dos ministérios e outras programações. Diante da história de descaso com os portadores de deficiência e dos muitos desafios missionários, poucas igrejas se deram conta da necessidade de facilitar o acesso de pessoas cadeirantes (que se locomovem em cadeiras de roda). Certamente há outras igrejas alargando o seu horizonte, mas ainda são bem poucas.

 

Deus quer que essas pessoas sejam alcançadas pelo Evangelho, que sejam salvas e batizadas, que façam parte da família da fé e sejam capacitadas a serem testemunhas do amor de Deus. Mas como crerão se não conseguirmos lhes transmitir o Evangelho? Como farão parte da família se os acessos ao nosso lugar de culto e reunião lhes impede de entrar? Como permanecerão na igreja se não temos nos educado para acolhê-las, integrá-las e torná-las parte ativa e produtiva da comunidade de fé? A nossa “casa” (nosso espaço físico, nosso grupo) deve estar adequada às necessidades especiais dos portadores de deficiência para que eles se sintam bem, para que eles se sintam parte do povo de Deus.

 

Ir missionariamente ao encontro das pessoas portadoras de deficiência física, evangelizá-las e adequar nossas instalações físicas e programas para atendê-las e discipulá-las não é um favor para atender a um suposto "modismo" da inclusão social e nem uma concessão pura e simplesmente a um grupo que exige atenção especial da igreja. Atender carinhosa, solidariamente, criteriosa e estruturalmente aos portadores de deficiência é missão. Jesus veio para salvar a todas as pessoas, inclusive as portadoras de deficiência.

 

Devemos começar imediatamente a nos preparar para evangelizar, acolher e discipular as pessoas portadoras de deficiência. Mesmo que em nossa Igreja não exista nenhuma pessoa portadora de deficiência, temos de sinalizar para a comunidade externa (para o bairro, para o mundo!) que essas pessoas são bem-vindas em nossa Igreja.

 

Ao construir, planejemos os acessos para todos. Inclusive salas de Escola Dominical no térreo ou elevadores e rampas para as salas noutros pavimentos. As pessoas portadoras de deficiência não podem ir aonde não conseguem entrar, não conseguem permanecer num lugar se não são percebidas e incluídas no grupo e na programação. Imaginemos uma pessoa surda participando de um de nossos cultos sem que haja o cuidado da igreja para ela possa perceber o que se passa e o que é cantado e pregado. Imaginemos uma pessoa cadeirante em nossa igreja que tenha necessidade de usar o banheiro. Se não houver instalações físicas adequadas e a atenção amorosa e solidária da igreja, melhor pra ela ficar em casa. Já é um desafio chegar à Igreja (sobretudo se tiver de pegar transporte público!), imagine chegar lá e não valer a pena, não ouvir, nem ver, nem locomover-se até salas ou outras dependências, nem aprender nada. É ultrajante!!!

 

Se em nossa Igreja houver uma ou duas pessoas portadoras de deficiência, vamos nos aproximar dela(s) e buscar atendê-la(s) para que ela(s) se sinta(m) não como “um peixe fora da água”, mas como um irmão ou irmã, parte do corpo que é enxergado, cuidado, incluído, alimentado e capacitado para ser discípulo(a) de Jesus. Se nos abrirmos para fazer missão junto às pessoas portadoras de deficiência e lado a lado com elas, uma pessoa portadora de deficiência bem atendida contará para outras, e, o Senhor nos abençoará acrescentando a nós os que vão sendo salvos. Precisamos deixar que o Espírito Santo tire as escamas de nossos olhos que nos impedem de enxergarmos as pessoas portadoras de deficiência.

 

Devemos nos lembrar que o Plano para Vida e Missão da Igreja nos afirma que “a evangelização, como parte da Missão, é encarnar o amor divino nas formas mais diversas da realidade humana, para que Jesus Cristo seja confessado como Senhor, Salvador, Libertador e Reconciliador. A evangelização sinaliza e comunica o amor de Deus na vida humana e na sociedade pela adoração, proclamação, testemunho e serviço”. Ou seja, devemos falar do grande amor de Deus às pessoas portadoras de deficiência, e se necessário, usar palavras. As pessoas, de fato, só conhecem a Deus através do amor. Por isso o serviço de inclusão e promoção das pessoas portadoras de deficiência é um serviço maravilhoso de evangelização.

Deus quer que todos sejam salvos. A Igreja tem a competência de ir missionariamente ao encontro de todas as pessoas.

 

Como Conhecer os Desafios das Pessoas Portadoras de Deficiência

 

Precisamos ler e pesquisar. Precisamos ver, mas sobretudo precisamos ouvir e aprender. Há muitos livros publicados e tem sido diversa a publicação de reportagens e entrevistas em jornais e revistas, bem como a exibição em programas na televisão.

 

Precisamos criar na igreja uma agenda para tratarmos desse assunto. Seja na Escola Dominical, nas reuniões de ministério, palestras pelos ministérios da Ação Social e Ação Docente e Evangelização, etc... Que a igreja seja um fórum abençoado para discutir e promover o acesso físico às facilidades públicas, direito à vida e à não discriminação das pessoas com deficiência, liberdade de ação, respeito às pessoas portadoras de deficiência, igualdade dos direitos, respeito, cidadania, vida independente e inclusão na comunidade.

 

Visitar e conversar com pessoas portadoras de deficiência e suas famílias também é muito importante. Uma boa e franca conversa tem muito a nos ensinar como igreja e como cristãos. É boa a visita a projetos de igrejas ou Ongs que promovem a inclusão das pessoas portadoras de deficiência. Quando a gente aprende a gente se torna uma pessoa de visão mais ampla. Uma pessoa melhor, mais esclarecida e mais solidária.

 

Tânia Maria Silva de Almeida, coordenadora da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, numa entrevista respondeu a algumas perguntas, das quais destacamos duas:

 

“O que as famílias podem fazer para ensinar a sociedade a se livrar do preconceito contra a pessoa portadora de deficiência?Tânia – Como formadora do cidadão, a família é o núcleo da sociedade. Em nosso país é o núcleo da sociedade. Em nosso país as famílias de portadores de deficiência se organizaram em cerca de 2.500 associações, referentes às diversas áreas da deficiência, que desenvolvem ações que vão desde o atendimento direto até a conscientização da comunidade sobre as potencialidades das pessoas portadoras de deficiência.

 

Com os avanços das políticas públicas, este segmento social tem se inserido, progressivamente, nos programas comuns aos demais cidadãos, principalmente nas escolas. E esperamos que o preconceito existente, provavelmente por desconhecimento das pessoas que não convivem com esse grupo social, se reduza, permitindo que a inclusão das pessoas portadoras de deficiência na sociedade se torne uma realidade.


O que a sociedade civil pode fazer para ajudar essas famílias?

 

Portar uma deficiência independe de raça, sexo, nível sócio-econômico e cultural. Uma vez instalada no indivíduo, ela passa a fazer parte da sua condição. A sociedade civil pode incluir os portadores de deficiência em seus programas, apoiar os serviços já existentes, promover ações de voluntariado, campanhas, etc. E principalmente deve amadurecer e derrotar o preconceito.

 

COMO LIDAR COM AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA

 

• Não se acanhe em fazer perguntas relacionadas às deficiências, pois a maioria das Portadoras de Deficiências não se incomodam em respondê-las; porém, se você não for muito próximo da pessoa, evite fazer perguntas íntimas;

 

• Dirija-se sempre ao portador de deficiência, mesmo que ao seu lado esteja um intérprete;

 

• Ofereça apoio sempre que verificar alguma necessidade, aguarde para que seja aceito e pergunte como você poderá ajudar;

 

• Não se ofenda com a recusa do auxílio oferecido. Nem sempre ele é necessário;

 

• Se um portador de deficiência lhe pedir algum tipo de ajuda e você não se sentir preparado para tal, sinta-se à vontade para recusar. Nessa situação, procure alguém que possa fazê-lo.

 

PARA PENSAR

 

O que podemos fazer concretamente para que a nossa Igreja seja um lugar acolhedor para as pessoas portadoras de deficiência? Vamos nos dividir em grupos. Cada grupo pode propor um ou dois serviços de acolhimento e evangelização das pessoas portadoras de deficiência. Vamos depois conversar com o pastor(a) da nossa Igreja para viabilizar as melhores propostas.


Essa é uma dúvida que muitos tem pois é uma questão que deve ser vista e discutida com cautela e muito,mas muito cuidado.Nesse topico,falarei sobre a salvação dos doentes mentais que não são responsáveis pelos seus atos.Uma pergunta em um outro blog me motivou a escrever e a dar a minha opinião sobre o assunto.Veja

Deus quer que todos sejam salvos!

Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. (1Timóteo 2:4)

Deficiêntes mentais são salvos?

É uma questão bem delicada.A princípio podemos até pensar que não tem jeito e que quem é deficiente mental não tem salvação em Cristo Jesus.Porém se analisarmos bem,veremos que a salvação é para todos,Jesus Cristo morreu por todos nós naquela cruz.Então,um doente mental também tem o direito a salvação.

Apesar de ele não ser responsável por suas ações,ele poderá ser salvo,pois é como se fosse uma criança/um bebê que não tem controle sobre as suas ações e não está ciente do que faz.Ele é como uma criança,é inocente,e portanto,penso eu (pois não cabe a mim julgar a quem é lícito entrar no reino dos céus ou não) Que assim como uma criança,essa pessoa entraria no reino de Deus, pois não há maldade em suas ações.

Muitos podem pensar de outra forma,porém expressei minha opinião sobre o assunto,agora eu preciso da opinião de todos,pois,só assim podemos chegar a uma conclusão e tentar esclarecer ao máximo sobre o assunto.

 

JESUS E O PODER DO EVANGELHO DE DEUS

Para Jesus, os deficientes eram oportunidades através dos quais o poder de Deus podia ser revelado. A Bíblia diz em João 9:2-3 “Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.”
As nossas limitações são temporárias. A Bíblia diz em 1 Coríntios 15:53 “Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.”


Os deficientes serão curados. A Bíblia diz em Isaías 35:5-6 “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.”

 

CONCLUINDO

 

A evangelização e os serviços de ação social, sociabilidade, educação cristã e discipulado, entre outros, devem ser planejados e executados de modo que estejam interessados, atentos e preparados para atender também as pessoas portadoras de deficiência física.

Mas se em último caso, a igreja não conseguir criar mecanismos e serviços para a participação plena das pessoas portadoras de deficiência, que ao menos elas se sintam muito amadas pelo povo da igreja. Queremos que a Igreja seja o melhor lugar e a melhor companhia para as pessoas portadoras de deficiência. A Igreja tem de ser um pedacinho do Céu na terra.

 

Devemos nos lembrar que, independente das necessidades — especiais ou não — cada pessoa é um ser humano, com virtudes, qualidades, pecados, contradições, com sua própria personalidade e jeito de ser, com sonhos, anseios, desejos. São também filhos e filhas de Deus, aos quais Deus quer salvar. E, como acontece com qualquer pessoa, todos nós gostamos de respeito, educação e cortesia.

 

Assim sendo, seja com quem for que estivermos tratando, independente da condição física, classe social ou qualquer outro fator, há uma regra de ouro que faz a nossa vida e a vida dos demais sempre melhor. Esta regra é: “Sê tu uma bênção!” (Gn 12:2).

 

UMA PALAVRA AOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA:

 

Deus amou também os portadores de deficiência de tal maneira que deu seu filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Confie em Deus. Busque força, capacitação e superação em Deus. Todas os mandamentos de Deus são também para as pessoas portadoras de deficiência. Todas as promessas de Deus são também para as pessoas portadoras de deficiência física, inclusive as bem-aventuras de Mt 5:1-12, a promessa do Espírito Santo de At 1:8; da salvação pela graça de Deus de Ef 2:8-9 e também a herança do Reino: "Vinde benditos do meu pai para o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (cf. Mt 25:34).

 

BIBLIOGRAFIA

 


 


 

=MULLER, Iara - Encarando a deficiência - Editora Sinodal - 1989 - pág. 49.

 

=Há ainda alguns sites (endereços eletrônicos) que podem ser acessados na internet, entre os quais:

 

=http://www.cedipod.org.br - Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência

 

= http://www.entreamigos.com.br - Entre Amigos - Rede de Informações sobre Deficiência

=http://www.pgt.mpt.gov.br/deficiente/legislacao/index.html - Página do Ministério do trabalho com a Legislação relacionada a pessoa portadora de deficiência

 

=http://www.mpdft.gov.br/Orgaos/PromoJ/prodide/prodide.htm - Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso e do Portador de Deficiência.

 

 

 

A Evangelização das Pessoas com Deficiência

 

Texto Áureo = "[...] Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos." (Lc 14.21)

 

Verdade Prática = A evangelização que não inclui as pessoas com deficiência é incompleta e não expressa plenamente o amor de Deus.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = João 5.1-9

 

Introdução

 

Isaías descreve uma época em que “se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará” (Is 35.5,6, ARA). O profeta, ao realçar o amor inclusivo de Deus, mostra que nem mesmo as pessoas com deficiência mental terão dificuldades em atinar com o caminho divino: “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o Ióuco” (Is 35.8, ARA).

 

Ainda que a visão do profeta seja sobre o Milênio, a cura e o refrigério físico, mental e espiritual podem ser experimentados, hoje, por todo aquele que vem a Cristo. A profecia revela o interesse de Deus por todas as pessoas, inclusive pelas que trazem deficiências e limitações.

 

O amor de Deus é inclusivo. Ele não admite que ninguém fique de fora, mas “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). A evangelização que não inclui as pessoas com deficiência é incompleta e não expressa plenamente o amor de Deus.

 

Neste capítulo, fui buscar a assessoria de minha filha, a professora Karen Bandeira, que estudou com carinho a educação inclusiva, a fim de adaptá-la à evangelização das pessoas com deficiência.

 

1. Pessoas com Deficiências também Carecem da Salvação

 

A inclusão de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como política pública, mas como a maior expressão do amor de Deus. Porque o Pai Celeste, amando-nos como nos ama, enviou o seu Filho ao mundo, para que todos viéssemos experimentar a salvação em sua plenitude. Iniciaremos este tópico, buscando uma definição que descreva corretamente a pessoa com deficiência.

 

 

1. Definição. Pessoa com deficiência é a que se acha privada quer de seus sentidos, quer de seus movimentos, ou do pleno uso de suas faculdades mentais. Nessa definição acham-se os cegos, mudos, surdos, paraplégicos e tetraplégicos, os autistas e os que têm a síndrome de 1 Down. Deveríamos incluir, também, os que se encontram acometidos pela doença de Alzheimer. Aliás, com o envelhecimento da população, cresce o número de idosos que, mais cedo ou mais tarde, poderão apresentar algum tipo de deficiência. Por isso, estejamos atentos aos anciãos, entre os quais faremos preciosas colheitas para a Seara do Mestre.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde. “deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica”.

 

2. Nem inaptos nem desculpáveis. No que tange à salvação das pessoas com deficiências, ou limitações, há pelo menos dois posicionamentos errados. O primeiro é o que não as contempla como alvo do evangelho e aptas a servirem a Deus. Simplesmente não se ocupa delas e não as incluem nos projetos evangelísticos. O segundo é o que as vê como desculpáveis e já santificadas pelo sofrimento.

 

No passado, certos enfermos suscitavam compaixão e chegavam a ser chamados de “santinhos”. E, para reverenciá-los, algumas pessoas tocavam- nos como se deles pudessem receber alguma virtude. Enganosamente, muitos veem como não condenáveis os indivíduos com deficiências, ou limitações, como se a entrada no céu lhes fosse franqueada em compensação das dificuldades enfrentadas na vida terrena.

 

Mas a Palavra de Deus é clara: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Com ou sem deficiências, todos nascemos pecadores e estamos “debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.10-12). Infelizmente, achar que os indivíduos mental ou fisicamente limitados não carregam, em si, a natureza de Adão é mais cômodo, porque libera a igreja da tarefa de evangelizá-los e integrá-los espiritual e socialmente ao corpo de Cristo.

 

Eis, portanto, um desafio que enfrentaremos com amor e prontidão. Sei que a tarefa não é fácil, pois a evangelização das pessoas com deficiência requer esforços concentrados e específicos. No entanto, temos de falar de Cristo aos que não ouvem, mostrar as belezas da vida cristã aos que não veem, apontar o caminho da salvação aos que não conseguem andar e discorrer sobre a razão da nossa fé aos que não logram pensar com clareza. Esta é a nossa missão: tomar o evangelho acessível a todos, inclusive aos que trazem alguma deficiência. Ajamos, pois, como seus olhos, ouvidos, boca e pernas, pois assim agiu o Senhor Jesus em seu ministério terreno.

 

3. Carentes e ao alcance da graça. A verdade é que todos precisam ser alcançados pelas Boas-Novas: os que enxergam bem, os que veem pouco e os que nada veem; os que escutam e falam, os que não ouvem nem falam; os que aprendem rápido e os que precisam de mais tempo para aprender; os que caminham com as próprias pernas e os que usam cadeiras de rodas, próteses ou muletas; os autistas, aqueles com síndrome de Down, com dislexia, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, com paralisia cerebral, epilepsia... “Todos devem ser conscientizados de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser ‘justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24).

 

Nesse sentido, cabe-nos uma reflexão. Se o governo, com suas políticas ineficazes e, às vezes, fundamentadas em ideologias contrárias ao cristianismo, busca integrar as pessoas com deficiência à sociedade, por que deixaríamos nós, a Igreja de Cristo, de cumprir nossa obrigação?

 

Além do mais, o Senhor Jesus adverte-nos seriamente a respeito de nossa inércia evangelística: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20, ARA). O que isso significa? Antes de tudo, que devemos fazer um trabalho de comprovada excelência; um trabalho que venha a exceder, em muito, ao que o Estado diz realizar.

 

II. A Tarefa da Igreja

 

A tarefa de trazer os deficientes a Jesus cabe a mim e a você. Por meio de uma didática apropriada, podemos incluir os deficientes no Plano da Salvação, ensinando-lhes a Palavra de Deus. Somente assim, poderão eles vir a superar todos os seus limites espirituais, emocionais e sociais.

 

1. A singularidade e a preciosidade de cada indivíduo. A triste verdade é que as igrejas dão-se por satisfeitas em poder atender a maioria das pessoas, quando Jesus quer que todas sejam incluídas. Ele não veio para a maioria, mas para “toda a criatura”, para “todo aquele que nele crê” e para “todo aquele que invocar o nome do Senhor” (Mc 16.15; J0 3.16; Rm 10.13). Mas “como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14). Ainda que em nossa comunidade haja apenas uma única pessoa que demande atenção especial, é bíblico que façamos o necessário para acolhê-la e discipulá-la.

 

Nas parábolas de Lucas 15, ao mostrar a preocupação do pastor por uma única ovelha desgarrada, o desvelo da mulher por uma única moeda perdida e a solicitude do pai por um filho distante, o Senhor destacou a unicidade e a preciosidade de cada indivíduo ao coração de Deus. A Igreja deve ter essa mesma visão e não se contentar enquanto lá fora houver uma alma perdida. E se essa alma for alguém com uma deficiência que demande investimento humano e financeiro, a Igreja não deverá encolher-se no pensamento mesquinho de que só valeria a pena se fosse um grupo inteiro.

Alguém, ao discorrer sobre a graça divina, afirmou que, se todas as pessoas do mundo fossem justas, com exceção de apenas uma, Jesus Cristo ainda assim desceria do céu, para morrer por essa única pessoa. Porque Deus não nos ama apenas coletivamente. Ele nos ama também individual e particularmente. Portanto, ninguém ficará de fora de nossas atividades evangelísticas, principalmente os que não podem ver, ouvir, falar, locomover-se ou atinar com a razão.

 

2. Tempo determinado e paciência. Um dos argumentos daqueles que são contrários à inclusão de pessoas com deficiência, principalmente nas escolas, é que a presença delas retardaria o aprendizado das outras. No entanto, a experiência tem mostrado que, quando se procura fazer a inclusão, todos aprendem, cada um dentro do seu tempo, e conforme a sua capacidade.

 

Mesmo numa classe de Escola Dominical, frequentada por alunos sem qualquer deficiência, nem todos conseguirão memorizar o nome das doze tribos de Israel, ou dizer com perfeição a sequência dos livros da Bíblia. Alguns adultos nem conseguirão discorrer acerca dos atributos de Deus. No entanto, todos poderão vir a crer, se bem evangelízados e discipulados, que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Infere-se, pois, que o evangelho exige e comporta a inclusão de todos, pois o Espírito Santo trabalha, em cada coração, as verdades que nos conduzem à salvação.

 

Na igreja, acolher e incluir pessoas com deficiência não significa criar um espaço separado para que, ali, elas aprendam a Bíblia. Assim como todas as ovelhas ficam dentro do aprisco para serem cuidadas pelo pastor, a pessoa com deficiência deverá ser ensinada junto aos demais crentes e, juntamente com eles, tomar parte no culto de adoração. A inclusão de pessoas com deficiência faz parte da comunhão perfeita entre os membros do corpo de Cristo.

 

III. Mudar para Receber

 

Para ser inclusiva, a igreja deve: a) possibilitar o acesso de pessoas com deficiência ao templo e facilitar o trânsito por suas dependências, como salas de Escola Dominical, banheiros e cantina; e b) apresentar a mensagem evangelística levando em conta as limitações da audiência e os diferentes estilos de aprendizagem. Cada igreja, conforme a sua realidade, deve adaptar-se a fim de cumprir o que diz a lei dos homens (Lei 13.146, de 6 de julho de 2015) e a do Reino (Mc 16.15-18).

Existem inúmeros recursos que auxiliam a inclusão. Abaixo, destacamos os principais:

 

1. Rampas, elevadores e barras. Estes recursos destinam-se àqueles que usam cadeira de rodas. A inclinação das rampas seguirá as normas estabelecidas por lei. As portas dos elevadores, e também as demais passagens do templo, serão largas o bastante para possibilitar o trânsito dos cadeirantes.

 

Todos os acessos da igreja serão sinalizados com o Símbolo Internacional de Acesso. Nenhuma área de circulação será obstruída com móveis. Nos banheiros, o lavatório terá altura apropriada, e ao menos um box com mobília adequada (vaso sanitário próprio e barras laterais).

 

2. Sinalização em relevo. São os pisos e mapas táteis que alertam as pessoas com deficiência visual quanto à topografia do ambiente. Ao sentir, com as mãos ou com os pés, as informações em relevo, o indivíduo poderá circular com maior segurança e independência pelos recintos. Essa sinalização adverte, entre outras coisas, quanto à presença de degraus, rampas, elevadores, portas, janelas e telefones públicos.

 

3. A Bíblia em Braile. O braile é um sistema de leitura e de escrita para pessoas com deficiência visual. Foi inventado pelo francês Louis Braille em 1827.

No Brasil, a primeira Bíblia em Braile foi lançada em 30 de novembro de 2002 pela Sociedade Bíblica do Brasil. Essa Bíblia é composta por vários volumes e está disponível na Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

Pessoas, bibliotecas e instituições de apoio podem se cadastrar nos programas sociais da SBB e receber os volumes gratuitamente.

 

4. A linguagem brasileira de sinais, ou Libras. É um sistema linguístico que comunica fatos, conceitos e sentimentos por meio de gestos, expressões faciais e linguagem corporal. Essa língua, que possui regras gramaticais próprias, é a usada pela maioria das pessoas com deficiência auditiva no Brasil, com pequenas variações regionais.

 

Na igreja, os cultos e aulas de Escola Dominical podem ser facilmente traduzidos à linguagem brasileira de sinais por um obreiro treinado. Ações evangelísticas em hospitais e centros de apoio às pessoas com deficiência auditiva também podem ser realizadas de forma mais proveitosa se os crentes enviados souberem transmitir as Boas-Novas em Libras.

 

O acesso ao aprendizado das Libras felizmente é facilitado pela intemet. E possível achar bons manuais, dicionários de Libras e vídeoaulas gratuitos. A professora Siléia Chiquini, da Assembleia de Deus em Curitiba, vem desenvolvendo um grande trabalho junto aos surdos, por meio do Ministério Mãos Ungidas. Na internet, ela compartilha seu trabalho e experiência com os que desejam fazer a voz divina bem audível aos que não podem ouvir a voz humana.

 

5. O professor mediador. A fim de que o ensino bíblico seja inclusivo, as classes de Escola Dominical não devem agrupar, em uma sala à parte, as pessoas com deficiência, ou com transtornos que dificultem o aprendizado. Entretanto, os alunos com deficiência precisam, em sua maioria, de maior atenção e cuidados.

Nesse processo, o professor mediador é o responsável por adaptar à realidade do aluno com deficiência o conteúdo que o professor regente transmite à classe e as atividades realizadas pelos demais educandos.

 

O mediador deve considerar a limitação do aluno especial, o seu ritmo e estilo de aprendizagem. Esse profissional também é responsável por facilitar a interação social do aluno com deficiência, evitando que fique isolado dos demais. Se o nosso objetivo é incluir a todos, devemos estimular e treinar pedagogos, didatas e obreiros a que se dediquem a esse ministério. É uma tarefa que demanda não apenas conhecimentos bíblicos, mas igualmente instruções pedagógicas, didáticas e psicológicas específicas. Hoje, graças a Deus, contamos com profissionais competentes entre os membros de nossas igrejas, que muito poderão ajudar-nos no cumprimento dessa missão. Portanto, ninguém ficará de fora do Plano da Salvação.

 

IV. Exemplos Bíblicos de Inclusão

 

Por toda a Bíblia, encontramos personagens com algum tipo de deficiência. No entanto, é maravilhoso observar a obra divina na vida de cada um deles, restaurando-lhes a dignidade, salvando-os e até restabelecendo-lhes plenamente a sanidade fisica e mental. Vejamos alguns deles. Ao conhecer melhor suas histórias, concluiremos que é possível, sim, incluir a todos no Reino de Deus, pois o Pai Celeste não deseja que ninguém fique de fora.

 

1. A inclusão de Mefibosete. Neto de Saul, Mefibosete ficou coxo aos cinco anos quando sua ama, tentando salvar-lhe a vida, deixou-o cair (2 Sm 4.4). No capítulo 9, a reação de Mefibosete ao chamado de Davi revela o que ele pensava de si mesmo, talvez por sua condição fisica: “Quem é teu servo, para tu teres olhado para um cão morto tal como eu?” (v. 8). Ao ser beneficente para com Mefibosete, Davi restaurou-lhe a auto- estima. Mefibosete não viveria mais como um indivíduo qualquer e sem importância.

 

Todos os dias ele comeria pão à mesa de Davi, como se fora um príncipe.

Segundo a Lei de Moisés, o jovem Mefibosete não poderia exercer o sacerdócio, por causa de sua deficiência fisica. Todavia, Deus o honrou de tal forma, que veio a estar à mesa de Davi. O Pai Celeste não discrimina a nenhum de seus filhos. Ao aceitarem Jesus como Salvador, as pessoas com deficiência passam a ser filhos de Deus, “logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8.17).

 

2. Parábola das bodas. Em Mateus 22.1-14, Jesus conta a história de “um certo rei que celebrou as bodas de seu filho”. Ele enviou os seus servos a chamar os convidados que, pretextando afazeres diversos, ignoraram1he o convite. Novamente o rei enviou os servos a trazer os convidados, porém “eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, e outro para o seu negócio; e, os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram” (vv. 5,6). O rei, então, decidiu trazer às bodas todo aquele que seus servos encontrassem pelo caminho, “e a festa nupcial ficou cheia de convidados” (v. 10).

O rei poderia ter ordenado aos servos que fossem “às saídas dos caminhos” e distribuíssem, a todos quantos encontrassem, o jantar preparado, os bois e cevados já mortos. Contudo, preferiu trazer “os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos” ao seu palácio (Lc 14.2 1). Graças à sua inclusão, a cerimônia ganhou vida, alegria e muita beleza.

 

3. Acenos e uma tábua de escrever. O sacerdote Zacarias, ao receber de Gabriel a notícia de que sua esposa daria à luz um filho, não creu. Por isso, ficou mudo até o dia em que se cumpriram as coisas anunciadas pelo anjo. Observe, em Lucasl.21-23, que a mudez de Zacarias não o impossibilitou de comunicar-se com as pessoas que estavam no Templo. Por acenos, o sacerdote conseguiu fazer-se entender. Alguns versículos à frente, vemos mais um recurso usado por Zacarias: “E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu...” (v. 63).

 

O que se conclui da narrativa sagrada? Todos, apesar de suas limitações, podem receber a comunicação do evangelho e, assim, experimentar a vida eterna. Se naquele tempo já era possível aos mudos se comunicar, hoje, com os recursos didáticos e tecnológicos de que dispomos, podemos integrar mais facilmente as pessoas com deficiência.

 

4. Uma figueira no lugar certo. Em Lucas 19, lemos sobre o encontro de Zaqueu e Jesus. “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem, chamado Zaqueu... E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver, porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” (vv. 1-5).

 

Zaqueu estava em desvantagem, pois era de baixa estatura. Se a figueira não estivesse exatamente naquele lugar, ele não teria conseguido ver Jesus, por mais que se esticasse, ou ficasse na ponta dos pés. Assim como Zaqueu, muitas pessoas com deficiência querem ver a Jesus, e certamente frequentariam nossas igrejas se soubessem que os templos foram devidamente preparados para recebê-las.

 

5. Quatro amigos esforçados. Lemos, em Marcos 2.1-12, sobre a boa vontade de quatro homens em conduzir um paralítico a Jesus. Esse quarteto não apenas era esforçado, mas tinha fé. Eles sabiam que Jesus era tudo o que o paralítico precisava (v. 5). Por isso, “descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico” (v. 4).

Esses homens nos ensinam que não basta ter um templo adaptado. É preciso ter fé e força de vontade o bastante para, literalmente, buscar as pessoas e levá-las ao local onde a salvação está.

 

V. Os Velhos Terão Sonhos

 

“O ornato dos jovens é a sua força; e a beleza dos velhos, as cãs” (Pv 20.29). Que versículo maravilhoso. A Palavra de Deus é tão inclusiva, que vê os cabelos brancos não como decadência, mas como beleza, honra e triunfo. O Pai Amado nos inclui desde o berço à sepultura, pois nos ama com um amor inexplicável e eterno. E, quando nossa vida, aqui, cessar, não seremos esquecidos, pois Ele nos receberá em suas mansões.

 

1. As Boas-Novas aos idosos. A mensagem da Salvação deve ser pregada aos idosos nos asilos, hospitais, praças públicas e, também, por meio do bom testemunho de seus filhos e netos que, em vez de olhá-los como peso morto, hão de vê-los como lembrança viva de um tempo que não precisa ir embora. No entanto, a fragilidade da vida e a iminência de seu término devem impulsionar-nos a evangelizar os idosos “a tempo e fora dc tempo” (2 Tm 4.2), não os admoestando asperamente, mas “como a pais” e “como a mães” com todo amor e devoção (1 Tm 5.1,2).

 

Não somente a alma dessas pessoas de cabelos brancos é preciosa a Deus, mas também o seu trabalho. Em sua velhice, elas podem fazer o Reino de Deus avançar, anunciando a esta geração e a todos os vindouros, as maravilhas do Senhor, sua força e poder (Si 71.17,18).

 

2. Alzheimer e demais doenças relacionadas à idade. Como falar de Cristo a pessoas que já não se lembram dos seus familiares e nem de si mesmas? Como fazê-las entender o Piano da Salvação e levá-las a Jesus, se lhes falta autonomia para alimentar-se, tomar remédios, ou banhar-se? Diante de tal cenário, resta à igreja ter fé suficiente para obedecer à ordem de Jesus ao pé da letra: pregar “a toda criatura”. E, novamente, os conselhos de Paulo a Timóteo aplicam-se: “a tempo e fora de tempo”, com amor e paciência, não sendo ásperos, mas “como a país” e “como a mães”.

 

Ao expormos a mensagem de salvação às pessoas com Alzheimer, é preciso crer que “a fé vem pelo ouvir” (Rm 10.17). Com paciência, devemos esperar o que não vemos, e confiar na obra do Espírito Santo:

 

Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto. (Rm 8.24-28)

 

Mesmo em sua ausência da realidade, os idosos, ou pessoas com demência, devem ser honradas: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do velho, e terás temor do teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv 19.32).

 

No episódio narrado em Gênesis 9.20-27, Noé não estava doente, nem sofria de demência. Contudo, ao embebedar-se, tornou-se mentalmente vulnerável e inclinado a agir fora da razão. Por isso, “descobriu-se no meio de sua tenda” (v. 21). Quando Noé despertou do vinho e soube o que seu filho menor lhe fizera, o amaldiçoou. A atitude jocosa de Cam alerta-nos a sermos respeitosos para com os idosos, mesmo que eles ajam de forma contrária a um comportamento socialmente aceitável.

 

Conclusão

 

No ano de 2014, fiquei internado por um espaço de dois meses. Nesse período, minha esposa, Marta Doreto, teve oportunidade de evangelizar diversos anciãos no Hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro. Alguns daqueles velhinhos já estavam em estado terminal; seus momentos de lucidez eram raríssimos.

 

Sabendo disso, minha esposa orou, pedindo a Jesus que eles despertassem, ainda que por alguns poucos minutos, para que ela lhes pregasse o evangelho. Foi assim que minha esposa conseguiu ganhar alguns daqueles anciãos para Jesus. Alguns se comunicavam apenas mexendo as pálpebras, respondendo afirmativamente às perguntas: “O senhor crê no que eu acabei de ler na Bíblia, que Jesus, o Filho de Deus, morreu e ressuscitou para salvá-lo de seus pecados? Quer recebê-lo como seu Salvador? Deseja que eu faça uma oração em voz alta, confessando Jesus como Salvador, enquanto o senhor a repete com o coração?”.

 

Um desses queridos velhinhos era um judeu de 103 anos e, segundo informaram à minha esposa aquelas três leves piscadas às suas indagações foram os únicos sinais de comunicação dele em muito tempo. Um mês depois, ele foi para o céu com Jesus.

Não podemos ver os cabelos brancos como empecilhos à pregação da mensagem da cruz, mas como a derradeira oportunidade que um ancião ainda tem de receber Jesus como seu Salvador pessoal. Por isso, incluamos a todos em nossas ações evangelísticas, a fim de que todos, a tempo e a fora de tempo, recebam Jesus.

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro O Desafio da Evangelização = Claudionor de Andrade = 1º. Edição